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Drama dos silenciados

por Ana Lúcia Trevisan — publicado 25/03/2011 15h17, última modificação 27/03/2011 10h20
Nos romances Cachorro Velho e Cartas para a Minha Mãe, a narrativa de Teresa Cárdenas cheia de vitalidade dialoga com o passado da escravidão em Cuba. Por Ana Lúcia Trevisan

CARTAS PARA A MINHA MÃE

Teresa Cárdenas
Pallas, 112 págs., R$ 21

CACHORRO VELHO
Teresa Cárdenas
Pallas, 142 págs., R$ 25

Teresa Cárdenas, que ganhou o Prêmio Casa de las Américas em 2005, possui espaço definido no panorama da literatura cubana contemporânea. Em seus romances Cachorro Velho e Cartas para a Minha Mãe, sua narrativa cheia de vitalidade dialoga com o passado da escravidão em Cuba e reconstrói memórias individuais e coletivas.

O relato das agruras do regime de escravidão cubano, que evoca as nódoas do passado escravocrata brasileiro, constitui a tônica do romance Cachorro Velho. Um velho escravo protagoniza árdua aventura rumo à libertação a partir das lembranças de sua vida aprisionada a um engenho. A memória fragmentada, mas violentamente presente, faz com que ele reúna forças para uma fuga sem perspectiva de sucesso.

Em Cartas para a Minha Mãe, o tom memorialístico se concretiza em cartas próximas a um diário íntimo. Uma menina de 12 anos escreve para a mãe morta, dando inocentes impressões a respeito dos limites entre
o amor e o ódio familiar. O universo dos lares cubanos, o misticismo e o preconceito racial são descritos com uma linguagem que remonta à infância e possibilita um olhar individualizado sobre questões perenes.

A leitura das  obras de Teresa Cárdenas conduz a uma reflexão sobre o passado, mas, acima de tudo, faz pensar sobre os narradores que tradicionalmente aparecem nas histórias de opressão da América Latina. A autora reconta os dramas e os ecos da escravidão, tomando a voz dos próprios silenciados.