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Cultura

Cariocas (Quase Sempre)

Dias de balangandans

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 04/03/2011 16h37, última modificação 04/03/2011 12h37
Carlos Leonam e Ana Maria Badaró falam das fantasias para o carnaval de 2011. Por causa da repercussão das ações no Complexo do Alemão, compreende-se o sucesso que vem fazendo a negra fantasia de soldado do Bope

Todo ano surgem novas fantasias, principalmente na Saara, Rua da Alfândega e adjacências, que é para onde rumam os foliões cariocas em busca de “originalidades” baratas para o Carnaval. Todo ano tem os rostos da vez. Máscaras do deputado Tiririca e da presidente Dilma refletem os dias atuais, que vão deixando para trás outras personalidades que agora já não ocupam tanto espaço na mídia.

Por causa da repercussão das ações no Complexo do Alemão, compreende-se o sucesso que vem fazendo a negra fantasia de soldado do Bope, em suas várias versões, inclusive infantil. Mas o traje “sinistro”, e aqui bem cabe a gíria, faz-nos lembrar as ingênuas roupas estilizadas, para além dos tradicionais pierrôs e colombinas, boladas pelos pais de anos atrás. O bom é ver que a ingenuidade está de volta com a explosão dos blocos de rua na cidade, para a alegria de todos, inclusive dos pequerruchos que têm blocos próprios e tudo mais.

Uma das fantasias de não tão antigamente e que faziam muito sucesso nas ruas e nos bailes infantis era a de tirolês, a despeito de o Carnaval se passar nos Trópicos – quentes trópicos! Os meninos vestiam calças curtas verdes de suspensório , camisa branca e chapeuzinho com direito à pena vermelha na aba. A lembrança de piratas da “ perna- de- pau, olho de vidro e cara de mau” também puxam o cordão da saudade.

Era um chapelão de abas largas laterais com uma caveira de lantejoula na frente, calças pretas bufantes, blusa branca de cetim e uma espada de mentirinha na cinta vermelha. Eram os Jack Sparrow de então, sem a sofisticação estética envergada por Johnny Depp. Não podia faltar um detalhe esfarrapado, o tapa-olho, nem a barba pintada com o lápis de sobrancelha da mãe. Se a grana estivesse muito curta uma tanga de índio, à la Apache, com machadinha na mão ou um faraó de shortinho resolvia a folia.

As meninas iam de bailarinas com seus tutus mais ou menos armados e sapatilhas rasas. A baianinha também era um must. Bastava um arranjo lembrando um torso na cabeça com brincos de argolas costurados, uma saia rodada e uns balangandãs. Estava-se tininindo para o baile infantil ou para um passeio na Avenida Rio Branco. Odalisca era outra alternativa em conta, cheia de fitas coloridas num pandeirinho, antes de virar roupa oficial de feiticeiras ou de dançarinas de pagode. Tchan!

Apesar de um uniforme policial estar entre as fantasias mais procuradas este ano e, sinal dos tempos, ser um dos sonhos de consumo de muita garotada, além de adultos que curtem uma sado-masô, nem tudo está perdido. Sem patrulha, muito menos sobre as fantasias de cada um, se o Bope e o Capitão Nascimento vão virar fábula e entrar definitivamente no imaginário popular é uma aposta de resultado quase conhecido.

Recordando - A dúvida sobre o que vestir no Carnaval inspirou algumas marchinhas antigas, ainda lembradas nas rodas de chope, como: “Esse ano eu vou sair de diabo/Só falta o rabo, só falta o rabo”.

Imposto sobre a alegria – Se o carnaval é um grande negócio, negócios pagam impostos. Ilustrativa a matéria mostrada pela Band, quantificando quanto se recolhe para os cofres públicos desde um saco de confete a um camarote na Marquês de Sapucaí. É para esfriar qualquer festa.

Não deu samba - Se a esbórnia começa muito antes do calendário, no sábado passado, quando muitos foliões já estavam nas ruas, um buzinaço de motoristas de táxis insatisfeitos com o novo sistema de faixa seletiva na Nossa Senhora de Copacabana, tirou gente de casa pronta para uma gandaia boa. É que o protesto dos taxistas era aberto por um carro com alto falante. Ouvido ao longe, bem que podia ser um bloco pedindo abre-alas.