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Cultura

Calçada da memória

Coreógrafo do sonho americano

por José Geraldo Couto — publicado 06/09/2011 10h03, última modificação 06/09/2011 11h06
Busby Berkeley foi o rei do escapismo na Grande Depressão americana e um artista que expandiu a estética do cinema com suas coreografias

Para alguns, Busby Berkeley (1895-1976) foi o rei do escapismo, forjando fantasias delirantes e eufóricas quando os norte-americanos enfrentavam a Grande Depressão. Para outros, um artista que expandiu as possibilidades estéticas do cinema com suas coreografias exuberantes, caleidoscópicas, em que a precisão geométrica convivia com a sensualidade.

Filho de uma atriz e de um diretor de teatro, Berkeley viveu no palco desde a infância. Na juventude, foi ator, diretor e coreógrafo. Na Broadway, trabalhou com J. J. Shubert e Florenz Ziegfield.

Atraído pela extravagância e magnificência de seus números musicais, Samuel Goldwyn o chamou a Hollywood. Mas logo Berkeley foi para a Warner, onde consolidou seu estilo, baseado numa geometria art déco, em que as principais inovações eram as tomadas do alto e os closes sensuais nas dançarinas.
A dança, propriamente, ficava em segundo plano. Nesse período a Warner teve de ampliar um de seus galpões para comportar os delírios coreográficos do artista.

Em 1939, foi para a MGM, onde se adequou a orçamentos mais controlados. Dirigiu e coreografou ali quatro filmes da dupla Judy Garland e Mickey Rooney e o primeiro estrelado por Gene Kelly, Idílio em Dó-Ré-Mi (1942). Curiosamente,
porém, seu melhor trabalho como diretor é um policial, Tornaram-me um Criminoso (1939).

Sua vida pessoal foi atribulada. Casou-se quatro vezes e teve inúmeros casos. Em 1935, dirigindo embriagado, causou um acidente que matou três pessoas. “Numa época de fome, depressão e guerras, eu quis fazer as pessoas felizes,
ao menos por um par de horas”, dizia. Conseguiu.

Rua 42 (1933)

O primeiro trabalho de Busby Berkeley na Warner foi a direção dos musicais desta comédia romântica de Lloyd Bacon, em que um famoso diretor (Wayne Baxter) tenta montar um último espetáculo na Broadway. Clássico dos
musicais em preto e branco pelas coreografias de Berkeley.

Entre a Loura e a Morena (1943)

Na véspera de partir para a guerra, playboy (James Ellison) tem noite de amor com uma chorus girl (Alice Faye). Musical dirigido por Berkeley e tornado famoso, entre outras coisas, pela presença da orquestra de Benny Goodman e pelo célebre número The Lady with a Tutti Frutti Hat, com Carmen Miranda.

A Bela Ditadora (1949)

Time de beisebol é herdado por beldade (Esther Williams) que impõe suas regras. Um jogador (Frank Sinatra) se apaixona por ela, mas o colega de quarto (Gene Kelly) tampouco fica imune à patroa. Comédia musical de Berkeley, que influenciou Kelly e dirigiu os melhores trabalhos de Williams.