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Cultura

Exposição

A viagem pictórica de Lasar Segall

por Ana Ferraz publicado 28/04/2016 03h21
Obras traçam um panorama de 40 anos de produção do artista lituano. Na Paulista, centenário do samba ganha homenagem
Lasar-Segall

Praça do Mercado em Meissen II

Setenta obras, entre pinturas, gravuras, xilogravuras, desenhos, aquarelas e esculturas integram a exposição Lasar Segall (1889-1957), na Pinakotheke São Paulo, conjunto que traça um panorama de 40 anos de produção do artista nascido na Lituânia, cuja trajetória expressionista se transforma ao emigrar para o Brasil, no fim de 1923. Aqui se revela “o milagre da cor e da luz”. 

Essa viagem pictórica ao mundo de Segall reserva ao menos duas surpresas: as telas Praça do Mercado em Meissen I e II, ambas de 1915, serão exibidas pela primeira vez. “Estas obras provêm de uma coleção particular e com Castelo em Meissen compõem a oportunidade de contemplar um período de rara produção de Segall”, diz o curador, Max Perlingero. 

A compulsória estada em Meissen ocorre após a Alemanha declarar guerra à Rússia, em 1914, quando cidadãos russos moradores de Dresden são levados à cidade vizinha. Em escritos autobiográficos, o artista fala de sua situação de “prisioneiro civil de guerra”. Acompanhado do pintor Alexander Neroslow, Segall saía com frequência em caminhadas destinadas a documentar aspectos da cidade e dos arredores.

Lasar-Segall
Da escultura à pintura, Segall foi múltiplo

Entre as gravuras expostas há oito do período europeu e duas do brasileiro. Da fase tropical, a série Mangue está representada pela xilogravura Mulher do Mangue com Espelho (1926) e a ponta-seca Mulher do Mangue com Cactus (1927). “A representação do período europeu presente nesta mostra tem nas xilogravuras seus melhores exemplos. Feitas na Alemanha na segunda metade dos anos 1910 e na década seguinte, elas se aproximam das gravuras primitivas, por motivos estéticos e ideológicos”, afirma Perlingero. “A gravação é marcada por uma simplificação brutal das formas, mostrando que nessa época Segall estava sintonizado com o Expressionismo alemão ao dar a sua obra gráfica a força de um panfleto.”

A linguagem veemente empregada visa à compreensão imediata dos conteúdos, impregnados das ideias políticas e sociais de esquerda características do movimento, explica. A exposição traz ainda um curta-metragem, documento raro por ser a única imagem do artista em movimento. 

Lasar Segall (1889-1957). Pinakotheke São Paulo. Até 28 de maio

 

Avenida de bambas

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Adoniran Barbosa é um dos homenageados (Foto: Acervo Adoniran Barbosa)

No ano de seu centenário, o samba ganha as ruas paulistanas. De olho no 1° de Maio, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) coloca na Avenida Paulista alguns dos grandes sambistas de todos os tempos, representados em 30 painéis fotográficos de 4x3 metros. “O samba não é só uma manifestação cultural, mas um símbolo de luta e inclusão social. Pensamos em uma exposição em que o trabalhador se visse parte dela”, diz Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT.

Os Trabalhadores e os 100 Anos do Samba. Av. Paulista. De 1° a 30 de maio

Por 1 quilômetro, da altura da Rua Ministro Rocha Azevedo até o prédio da Gazeta, ícones como Donga, Pixinguinha, Cartola, Noel Rosa, Clementina de Jesus, Adoniran Barbosa (foto), Assis Valente, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Bezerra da Silva, Paulo Vanzolini, Chico Buarque e Jorge Aragão estarão à vista de todos. “Vamos mostrar a trajetória da principal manifestação da identidade cultural do Brasil”, afirma Francisco Pereira, secretário da UGT.