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Cultura

Exposição

Um célebre jardim de infância

por Rosane Pavam publicado 19/07/2016 02h43
A 30ª Ocupação do Itaú Cultural traz o trabalho do cartunista Glauco, com 200 originais pesquisados pela viúva Beatriz Veniss
Reprodução
Glauco

Um apoplético principesco na tira de Glauco, cuja trajetória é lembrada em ocupação

Os olhos às vezes apopléticos definiam um presidente principesco. O charuto estaria de bom tamanho entre os lábios de um populista. E, nas nádegas de um jovem ansioso pela mãe, injetavam-se seringas. Glauco Vilas Boas (1957-2010) exagerava o ponto fraco de seus personagens, como fazem os caricaturistas.

Contudo, a genial diferença em relação a eles residia naquele terreno em que despejava a graça. Todos os seus seres pareciam navegar pelo jardim de infância das emoções, incapazes de se satisfazer, inquietos.

O artista contava com uma carreira de mais de três décadas, exercida desde a estreia no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto, em 1976, até sua trajetória pelo jornal Folha de S.Paulo e a Circo Editorial, quando morreu, assassinado por um frequentador de sua igreja daimista Céu de Maria.

O trabalho de Glauco é a matéria da 30ª Ocupação do Itaú Cultural, com 200 originais pesquisados pela viúva Beatriz Veniss. A exposição contém esboços, HQs, charges, tirinhas, desenhos prontos e em finalização, quadrinhos feitos a lápis, muitos deles com anotações nas margens. 

Glauco parece passear frenético e observador por personagens como Dona Marta, Zé do Apocalipse ou Doy Jorge. Uma instalação com bonecos tridimensionais de arame mostra os braços e pernas multiplicados, marcas do movimento de seus personagens.

Um nicho com cenografia de Thereza Farias é dedicado a aspectos da vida pessoal, como a espiritualidade. O público poderá manusear as revistas que abrigaram sua arte. Em agosto, o Itaú Cultural relança, em parceria com a Editora Peixe Grande, seu primeiro livro, Minorias do Glauco.

Ocupação Glauco. Até 21 de agosto. Itaú Cultural, São Paulo