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Lucia Miguel Pereira e o gosto da aventura

por Rosane Pavam publicado 19/04/2016 04h17
A influente crítica literária traça as condições para o ensaísmo
Acervo de família
Lucia-Miguel-Pereira

Eis a maior ensaísta a discorrer sobre sua arte

Em 1936, Lucia Miguel Pereira entrelaçou de modo pioneiro a excepcionalidade literária de Machado de Assis à sua vida, pesquisada a partir de fontes primárias. Duas décadas depois, escreveu Sobre os Ensaístas Ingleses, que a Serrote #22 republica. Eis a maior ensaísta a discorrer sobre sua arte. Eis a Serrote a tratar de sua própria natureza, em um dos números mais instigantes.

Miguel Pereira identifica no ensaísta a capacidade de se colocar diante das ideias com um misto de instinto e experiência, prezando a liberdade mais que a autoridade. “O ensaísta escreve como o inglês viaja: pelo gosto da aventura, pelo prazer de descobrir novos horizontes.” Acresça-se o talento literário, de sobra em Miguel Pereira, para compreender que o ensaio deve seguir a dinâmica de descrições, surpresas e ápices ficcionais.

Na edição, são coletados grandes momentos dessa escrita, assinados, a exemplo, por Max Beerbohm, que em O Espírito da Caricatura a desenha como a busca por uma risada estética. Depois de uma Viagem ou Homenagem às Vértebras despeja a ironia de Joseph Brodsky sobre o Brasil. Após descuidos factuais, o ensaísta anota: “Os triunfos do Brasil no futebol deixam de surpreender, depois que vemos como as pessoas dirigem por aqui. Realmente intrigante num trânsito desses, feito de dribles, é que a população do país cresça”.

Serrote #22. Instituto Moreira Salles, 224 págs., R$ 44,50