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O retiro da vanguarda

por Alvaro Machado — publicado 26/02/2016 14h52
Jovens criadores encontram espaço para experimentar em um tradicional bairro do centro de São Paulo
Mariana Chama
O-Defunto

Na disputa pela memória do finado amante, um mergulho nos ilogismos surrealistas

Com a municipal Lei de Fomento ao Teatro ativa há 14 anos, a cena paulistana mostra fôlego para desencavar surpresas do repertório cultural do século XX. A exemplo de uma adaptação da Cia. das Atrizes para diálogo escrito há 50 anos pelo panamenho-francês René de Obaldia, autor alçado à Academia Francesa em 1999 e hoje com 97 anos. Duas mulheres a bebericar vinho (Tetembua Dandara e Thalita Pereira/Marilene Grama) disputam a memória do finado amante, situação logo revestida dos ilogismos surrealistas cultivados por Obaldia, vizinho ao Teatro Pânico de Fernando Arrabal, Roland Topor e Alejandro Jodorowsky.

As atrizes dialogam com contrabaixo e acordeão dos músicos Daniel Muller e Rui Barossi, em inspirada composição original de Arrigo Barnabé. Os diretores convidados Carlos Canhameiro e Marina Tranjan podem ter contribuído à elegância contaminada de violência da montagem. Alinhado à tendência recente, são chamados “provocadores cênicos”, num certo pudor de hierarquias.

Tal experimentalismo de linguagens de criadores jovens compõe um nicho de vanguarda acolhido com frequência nos belos prédios de 1905 da Oficina Oswald de Andrade (estadual, sem cobrança de ingressos). O local costuma exibir processos teatrais, como o da própria Cia. das Atrizes para a sua próxima montagem, Dramas de Princesas, com texto da Prêmio Nobel Elfriede Jelinek.

O Defunto. Até 27 de fevereiro. Cia. das Atrizes. Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo.

Dramas de Princesas, processos teatrais. Até 30 de abril. Cia. das Atrizes. Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo.

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