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Brasil, o país de barro, palha e coco

por Tárik de Souza — publicado 15/02/2016 04h15, última modificação 15/02/2016 13h13
Em parcerias, Clima inaugura álbum que satiriza o País "nunca descoberto"
Reprodução
CD-Clima

“O ofício do compositor, muitas vezes anônimo, sob a voz do intérprete”

A conexão da música com as artes plásticas vem de longe no Brasil. Parte de sambistas e pintores naives, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento, ao figurativo Dorival Caymmi, que cogitou trocar o violão pelos pincéis.

Adriana Calcanhotto, Belchior, Kiko Dinucci e Tulipa Ruiz aliaram gravações e capas dos respectivos discos, e o grupo vanguardista carioca Chelpa Ferro transformou instalações em concertos e álbuns.

O núcleo paulistano, formado pelos artistas plásticos e parceiros Clima, Nuno Ramos e seu ex-assistente Rômulo Fróes, ostenta um trajeto prolífico na música popular.

Compositor e cantor, Fróes tem cinco títulos-solo, além dos registrados com as bandas Losango Cáqui e Passo Torto. Nuno ganhou o tributo Pedaço Duma Asa, da cantora Mariana Aydar, em 2015, e Eduardo Climachauska, o Clima, desembarca seu CD Monumento ao Soldado Desconhecido (YB Music).

O título, escreve, metaforiza “o ofício do compositor, muitas vezes anônimo, sob a voz do intérprete”. 

Monumento ao soldado desconhecido. Clima. ybmusic

 

Não mais, no seu caso. Conhecido no circuito das galerias por abrasivas esculturas com nomes como Felicidade de Arranha-céu (de Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins) e Ho-ba-la-lá (João Gilberto), Clima investe no estranhamento, em parcerias com Nuno, produzido por Fróes.

Como Fica Onde Está, vinheta calcada na repetição de notas, ancorando seu vocal flutuante. Ela deságua na autoironia de Eu Não Sei Cantar (lalalaiá/ imitei/ eu não sei imitar/ eu tentei), pincela erotismo em Coxa Branca e acelera no frevo Alguém Responde pra Mim.

Restrito às guitarras do solista e Rodrigo Campos, Sérgio Machado (bateria) e Allan Abbadia (trombone), o CD volta a surpreender no desidratado samba Mamãe Papai. A marcha-título satiriza o País, de barro, palha e coco/ mas nunca descoberto