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Mahler abre temporada das duas maiores orquestras paulistas

por Álvaro Machado — publicado 12/02/2016 15h41, última modificação 13/02/2016 08h17
Orquestra Sinfônica Municipal e Orquestra do Estado de São Paulo obedecem a uma espécie de ritual para acordar dos naipes instrumentais às plateias
Divulgação
Yulianna Avdeeva, Angela Meade e Michelle DeYoung, destaques da temporada

Yulianna Avdeeva, Angela Meade e Michelle DeYoung, destaques da temporada

As aberturas de temporadas das duas maiores orquestras paulistas (com assinaturas ainda à venda) obedecem a um ritual mundial no novo milênio, de escolha de obras de Gustav Mahler para fazer acordar todos os naipes instrumentais, bem como as plateias.

Com seus corais estáveis, a Orquestra Sinfônica Municipal se empenha a alcançar a sacralidade de fundo zoroástrico, de louvor ao Fogo e à Luz, da Segunda Sinfonia, Ressurreição (13 e 14 fev.); enquanto a Orquestra do Estado de São Paulo, sob a batuta de Marin Alsop, elege a Primeira, Titã, também do compositor judeu (de 16 a 19 mar.).

Com o israelense Yoram David no pódio, a Municipal prossegue o mês de abertura com trompista convidado, o tcheco Premysl Vojta, em concerto de Strauss, mais a Sinfonia n. 5 de Sibelius, compositor muito valorizado nos últimos anos (20 e 21 fev).

O maestro titular John Neschling volta a Strauss, nas de fato tardias Quatro Últimas Canções, com soprano ainda não anunciada, e na Sinfonia Manfred, de Tchaikovski (27 e 28).

Temporadas Sinfônica Municipal (de 13 a 28 de fevereiro, Theatro Municipal de SP) e Sinfônica Estadual (de 16 a 27 de março, Sala São Paulo).

Para as suas noites de abertura na Sala São Paulo (16 a 19 mar.), a Osesp convoca, além de seus dois corais, o Coral Lírico Paulista e quarteto de solistas estrangeiros, na monumental Missa de Réquiem (1874) de Giuseppe Verdi.

Mais de 120 vozes e 100 instrumentistas devem satisfazer o gosto do público paulista por peças grandiloquentes. Com seu eletrizante Dias Irae inicial, esse Réquiem é como uma ópera sacra, com liberdades líricas que somente um ateu convicto como o mestre de Roncole poderia arriscar.

Nem a Aída comportou movimento coral tão grandioso. Ao final da vida, Verdi assumiu postura agnosticista, criando peças de molde religioso. As vozes solistas são das sopranos Angela Meade e Michelle De Young (EUA), do tenor Dmytro Popovo (Ucrânia) e do baixo Nicolas Testé (França).

Já em 24 e 26 de março, a Osesp convida o regente estoniano Arvo Volmer e a pianista russa Yulianna Avdeeva para obras de Kodály (Noite de Verão), Mozart (Concerto n. 23) e Tchaikovski (Sinfonia n. 6). Ganhadora do Concurso Chopin 2010, Avdeeva também apresenta-se em recital no dia 27, com a difícil Sonata n. 1 de Shostakovich, além de peças de Bach e Schumann.

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