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'Eu Tenho Tudo' recebe traços originais no Brasil

por Alvaro Machado — publicado 25/02/2016 21h14, última modificação 25/02/2016 21h20
O tema do duplo psicológico é tratado de modo a revelar mecanismos de alienação de vítima exemplar da sociedade de consumo e da cultura da acumulação
Cacá Bernardes
EU TENHO TUDO- foto Cacá Bernardes-1.jpg

Versão teatral do romance é realizada pelo próprio autor, o argelino-francês Thierry Illouz

 

Monólogo de sucesso desde sua estreia em dos maiores festivais mundiais de teatro, Avignon, 2004, Eu Tenho Tudo recebe traços originais no Brasil. A acompanhar tendência contemporânea, o solo funde-se às artes performáticas, a potencializar, além do texto, o suporte do corpo, à maneira de experimentos conduzidos por artistas visuais desde os anos 1960. Em limites expressivos, a performance-solo comporta, não raro, processos às raias da autoimolação, a carregar o espectador à experiência-limite.

A atriz e diretora mineira Cácia Goulart protagonizou, há dois anos, prova de resistência na longa duração de seu solilóquio baseado em A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi, em uma interpretação indicada a prêmio Shell.

Aqui ela coloca tal experiência em prol da direção de Pedro Vieira e da versão teatral do romance Eu Tenho Tudo (2003) realizada pelo próprio autor, o argelino-francês Thierry Illouz, a quebrar seu ineditismo em terras brasileiras.  

A escolha do texto é justificada, por Vieira, por representar “o discurso da dúvida em um momento de inesperado recrudescimento de discursos de certeza, conservadores e fascistas, orgulhosos de mostrar-se”.

Eu tenho tudo. Direção: Cácia Goulart. Viga Espaço Cênico (SP). Sextas e sábados às 21h; domingos às 19h. Até 10 de abril

O tema do duplo psicológico é tratado de modo a revelar mecanismos de alienação de vítima exemplar da sociedade de consumo e da cultura da acumulação. Ao conseguir “tudo”, o personagem termina por encontrar o “nada”.

À parte a extensão vocal exigida pela performance, Vieira agrega  linguagem corporal intensa e até mesmo uma singular tatuagem em suas costas, figura de animal equestre de contornos pré-históricos.

Publicado originalmente na edição 888 de CartaCapital, com o título “Arte da performance” 

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