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A dança além dos palcos

por Ana Ferraz publicado 16/08/2016 04h45
Festival internacional promove a democratização da arte em espaços urbanos
Marc Costa
Physical-Moment

A companhia Physical Momentum Project vai às ruas mostrar Postskriptum

Bancos de madeira e barcos de papel flutuando pendurados na ponta de fios. É neste cenário despojado que Rhodnie Désir desenha sua representação da diáspora negra. A bailarina e coreógrafa de compleição forte, nascida no Canadá de pais haitianos, preenche o palco com cantos, poesias e passos fortes. “Cada trabalho meu busca encontrar e revelar memórias vivas, antigas e atuais do mundo”, diz a criadora de BOW’T.

Ao lado do percussionista Ronald Nazaire e auxiliada por projeções do oceano ao fundo, a bailarina dança as viagens, os deslocamentos, a história de um povo cuja liberdade foi confiscada.

Em Postskriptum, a linguagem teatral une-se à dança em coreografias acrobáticas a integrar uma tetralogia idealizada pela companhia Physical Momentum Project para simbolizar os muitos modos de se despedir. Na liderança do projeto está o premiado coreógrafo mexicano Francisco Córdova Azuela.

Désir e o Physical Momentum Project são algumas das estrelas do Dança em Trânsito, festival internacional que será realizado em agosto, setembro e outubro no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e Belo Horizonte. Cerca de 50 artistas de Suíça, Canadá, Espanha, Portugal, França, Burkina Fasso e do Brasil promovem a democratização da dança. 

Dança em TrânsitoRio de Janeiro (de terça 16 a domingo 28 e dia 6 de outubro), Alto Bela Vista (quarta 31), Chapecó (segunda 29), Florianópolis, SC (31, 1° e 2 de setembro), Capivari de Baixo, SC (3 de setembro), Entre Rios do Sul, RS (terça 30) e Belo Horizonte (domingo 4 e segunda 5 de setembro)

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No palco despojado, Rhodnie Désir interpreta BOW’T (Foto: Rhodnie Désir, Montreal/Canadá)

O festival nasceu em 2002 e não privilegia só os grandes palcos. Ao contrário, apresenta-se em praças, escadarias, parques  e outros espaços raramente eleitos. Essa vocação de ir ao encontro do público faz parte dos propósitos da rede de intercâmbio Ciudades que Danzan, sistema de cooperação que reúne cidades da Europa, América do Sul e Central e Oceania dispostas a promover a dança em espaços urbanos. Dança em Trânsito tem direção artística e curadoria de Giselle Tápias.

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