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Cultura

Dança

A pele que habito

por Ana Ferraz publicado 03/06/2016 13h09
Balé da Cidade estreia Corpus, uma reflexão sobre o corpo além da anatomia
Sylvia Masini
Balé da cidade

Treze homens, onze mulheres, 30 minutos de criatividade

É em torno dos múltiplos significados do corpo que se desenvolve a nova coreografia a ser apresentada pelo Balé da Cidade de São Paulo na temporada de quarta 8 a domingo 12 no Theatro Municipal de São Paulo. Corpus surge inspirada em livro homônimo do filósofo francês Jean-Luc Nancy e propõe refletir sobre o corpo desvinculado da anatomia.

“É um ensaio filosófico sobre o mundo e a vida”, explica o coreógrafo português André Mesquita. O palco paulistano recebe ainda Adastra, do catalão Cayetano Soto, e Balcão de Amor, do israelense Itzik Galili, ambas apresentadas com sucesso na turnê europeia deste ano do Balé da Cidade.

Para Mesquita, Corpus é uma peça coreográfica sobre a pele, representada por 13 homens e 11 mulheres durante 30 minutos. A grande quantidade de bailarinos no palco, alternando-se em solos, trios e grandes blocos humanos, favorece a criatividade, acredita a diretora artística da companhia, Iracity Cardoso.

O coreógrafo convidado recorre ao livro de Nancy para voltar às palavras originárias dos movimentos. “Um corpo é uma imagem oferecida a outros corpos, um conjunto de imagens relacionadas, de cores, sombras locais, fragmentos.”

Corpus, Adastra e Balcão de Amor. Balé da Cidade de São Paulo. Theatro Municipal de São Paulo. De 8 a 12 de junho.

A relação de Mesquita com a companhia paulistana começou em 2011, quando criou Cidade Incerta. Vieram em seguida Livro do Desassossego, obra inspirada em Fernando Pessoa, e em 2014 a ópera Salomé, de Richard Strauss. Em Corpus, quem executa a trilha de Hector Berlioz e Glaucio Zangheri é a Orquestra Experimental de Repertório, regida por Carlos Moreno.

O caminho trilhado até a conquista de objetivos pessoais é a matéria-prima do espanhol Soto no balé cujo nome advém da expressão latina ad astra, até as estrelas. “Adastra é uma filosofia de vida, um ponto de reflexão.”

O aplauso caloroso recebido pela companhia em apresentações na Espanha e Alemanha comprova o sucesso da coreografia de combinações improváveis e equilíbrios quase impossíveis. Em Balcão de Amor, o tom é outro. Impulsionados pelo som contagiante do cubano Perez Prado, o rei do mambo, os bailarinos se abrem para o humor. Na coreografia de Galili, o absurdo e o hilário se combinam num delicioso jogo de movimentos. 

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