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Bravo! Teatro

Dicas para o teatro

por Redação Carta Capital — publicado 04/06/2011 12h26, última modificação 04/06/2011 12h27
A ocupação Flávio Império, no Itaú Cultural de SP, e o espetáculo Ispinho e Fulô, no Sesc Dourados (MS) são destaque
Império revisto

No Itaú Cultural, os objetos e as serigrafias de Flávio Império

Abaixo, a seção Bravo! sobre teatro publicada em CartaCapital nesta semana

Império revisto
A ocupação Flávio Império está em cartaz com a difícil e curiosa missão de iluminar a parcela dedicada à serigrafia daquele que foi múltiplo sem se preocupar em multiplicar sua arte. O paulistano Flávio Império (1935-1985) atuou como cenógrafo, figurinista, pintor, desenhista e arquiteto, para ficar nas vocações criativas em que se consolidou e se mantém como referência. Mas muitos desses ofícios do também professor se aglutinavam e se exprimiam a partir da gravura. Em suas mãos, o usual conceito de reprodução da técnica era desviado para ganhar forma de figurinos e cenários teatrais feitos de tecidos, materiais artesanais e união de objetos e elementos variados, como na assemblage das artes plásticas.

Talvez, por isso, essa etapa da série Ocupação opte por trabalhos não finalizados, no sentido do resultado pronto que se costuma apreciar em exposições tradicionais, e venha a se impor mais como um grande cenário. Na seleção organizada por Vera Hamburger, sobrinha de Império, as únicas matrizes são 16 telas na técnica de serigrafia, em que se nota o recurso de lavagem comum do autor e a partir das quais o público poderá criar suas próprias obras em tecido. As seções complementares investigam seus projetos para companhias teatrais como o Arena e o Oficina, além de sua influente roda de colaboradores. São trechos de filmes e depoimentos como o de Renina Katz, artista parceira, do ator Paulo José e do crítico Sábato Magaldi. A voz de Maria Bethânia, para quem Império assinou cenografias, acompanha o espectador no itinerário dessa provável descoberta. – ORLANDO MARGARIDO

Ocupação Flávio Império, no Itaú Cultural, São Paulo - SP, até 17 de julho

Poeta do sertão na Dinamarca
Foi em uma visita à cidade de Assaré, enquanto fazia um espetáculo no sertão do Cariri, no Ceará, que Fabiana Vasconcelos Barbosa se encantou pelos poemas de Patativa do Assaré. Da paixão surgiu o espetáculo Ispinho e Fulô, em cartaz no Brasil desde 2009, e recebido calorosamente no Festival Assitej, em Copenhague (Dinamarca), entre 24 e 27 de maio deste ano.

O espetáculo traz o embate da poesia popular do autor sertanejo, que oficialmente estudou apenas seis meses, mas se transformou em um autodidata da literatura e profundo conhecedor da realidade à volta, com o cotidiano dos atores na metrópole São Paulo. “É a mistura da poesia popular com a erudita”, diz Barbosa, para quem Patativa foi “capaz de construir sua identidade com uma percepção aguda do mundo”.

Da peça participam ao vivo três músicos, que introduzem canções originais e do universo popular brasileiro.

“A música é um dos fortes laços de conexão com o público. Temos um pouco de rock, samba e xote”, afirma Fabiana, que assina a produção e também atua no espetáculo.

Outro elemento de comunicação importante é a língua. Por isso, foram feitas algumas adaptações para o inglês nas seis apresentações realizadas na Dinamarca. “Discutimos a questão da tradução e da compreensão, porque é um espetáculo muito brasileiro e arraigado na experiência do Patativa, que nunca saiu do ‘seu lugar’ e nunca foi para o estrangeiro”, conta. A “nova língua” apareceu nas vozes do rádio, uma das ferramentas narrativas da peça, e nos depoimentos pessoais dos atores. Porém, as poesias foram preservadas por sua “melodia saborosa para quem não conhece a nossa língua”, garante Fabiana.

A primeira apresentação em Copenhague, também a estreia internacional da Cia do Tijolo, aconteceu em português. “A reação de entrega do público foi impressionante e depois das traduções a recepção só melhorou”, conta. Ispinho e Fulô roda o Brasil até o fim do ano, com o projeto Palco Giratório, do Sesc. – GABRIEL BONIS

Ispinho e Fulô, direção de Rogério Tarifa, no Sesc Dourados - MS, nos dias 11 e 12 de junho