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Shôhei Imamura no "É Tudo Verdade"

por Orlando Margarido — publicado 08/04/2014 15h47
Ainda dá tempo de conferir a mostra de estudos documentais do cineasta japonês Shôhei Imamura em São Paulo
Divulgação
Imamura

Em Um Homem Desaparece, Imamura assume na tela a atitude de mediador e interrogador

Com fábulas humanistas, o cineasta japonês Shôhei Imamura (1926-2006) apresentou ao mundo sua capacidade de refletir e emocionar, e no Brasil não foi diferente. Os anos 80 assistiram ao triunfo de A Balada de Narayama, Palma de Ouro em Cannes, e à incômoda lembrança de Hiroshima em Chuva Negra. Depois, A Enguia, com reedição do prêmio francês, e Água Quente Sob uma Ponte Vermelha, comoveram entre o dramático e o místico. No centro dos filmes está o homem, suas aflições e decisões, que Imamura atentava nos estudos documentais. É esta parcela desconhecida de seu cinema que o 19º Festival É Tudo Verdade (www.etudoverdade.com.br) revela entre sexta 4 e dia 13, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo.

São seis documentários realizados entre 1967 e 1975, a maioria para a tevê japonesa. Exceção a Os Piratas de Bubuan, relato de pescadores filipinos sob ataque de bandoleiros, os demais investigam aqueles que não se encaixaram na nova ordem de modernidade no Japão do pós-Segunda Guerra.

Nesse sentido, Um Homem Desaparece é sintomático. Imamura inquire sobre o sumiço de um vendedor ao chefe deste, amigos e familiares. Assume na tela a atitude de mediador e interrogador.

Assim é o dispositivo adotado em Karahuki-san, A Fabricação de uma Prostituta, na conversa com uma senhora enviada à Malásia para exercer a prostituição entre soldados. Assim é no contraponto dos que serviram ao país e decidiram não retornar a ele, tema da trilogia Em Busca dos Soldados Foragidos na Malásia, Em Busca dos Soldados Foragidos na Tailândia e O Brutamontes Regressa à Pátria. Neste último, o diretor toma a atitude mais intrusiva, ao convidar Matsu Fujita a voltar ao Japão e reencontrar o irmão que o renegava.