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A questão humana

por Orlando Margarido — publicado 27/08/2011 08h58, última modificação 28/08/2011 17h42
Novo remake de Planeta dos Macacos traz caracterizações em animação computadorizada em uma trama que se sustenta por si. Por Orlando Margarido

Uma vantagem de apostar nas raízes dramáticas de uma série de sucesso, recurso de Hollywood que se traduz como “prequência”, é o interesse seguro de milhões de aficionados em resolver o quebra-cabeça. O perigo verificado em exemplos como Guerra nas Estrelas estaria em se tornar refém apenas de uma memória coletiva e com isso empobrecer uma trama que poderia se sustentar por si. Não é esse o risco que corre Planeta dos Macacos – A origem, em cartaz a partir de sexta 26, embora o filme apresente suas referências mais bem compreendidas por quem assistiu aos cinco longas produzidos entre os anos 60 e 70. Uma delas, o macaco protagonista César, personificado pelo ator Andy Serkis, cuja caracterização se completa com uma animação em computador, às voltas com uma miniatura da Estátua da Liberdade, símbolo significativo na série. Em outra, Charlton Heston, ator principal do primeiro filme, surge em cenas na televisão.

O fato é que aqui se explica, com boa diversão e empenho, a razão de dois astronautas levados em incidente ao futuro desembarcar numa terra, a nossa, tomada e governada por símios que caminham e se vestem como humanos. Cavaleiros e falantes, tomam os homens como escravos. Sob a perspectiva e a lógica americanas inevitáveis aos grandes estúdios, a culpa de um colapso do planeta, claro, é de seus próprios habitantes. Como atenuante, instala-se a boa índole de um médico (James Franco) na pesquisa de uma nova droga de combate ao mal de Alzheimer, de que seu próprio pai é vítima (John Lithgow). Testada em macacos, incomoda um deles, uma fêmea que se revolta, acaba morta e deixa um filhote. Criado pelo pesquisador, o animal se revelará um gênio para a espécie e organizará uma quartelada para fugir do cárcere, afrontar a cidade e procurar um hábitat natural. Tudo por ser acompanhado pelos olhos de hoje, com o presumível destino dos maus personagens, e do futuro, quando for perpetrada uma epidemia causada por sangue contaminado, tema para uma definidora sequência.