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A moda dos nomes próprios

por Redação Carta Capital — publicado 18/11/2011 13h12, última modificação 19/11/2011 14h12
Os brasileiros inventaram um tal de duplo N, duplo P, duplo L, sem contar que reinventaram o Y. Tudo isso sem consultar o numerólogo

Por Alberto Villas

 

Os tempos mudaram. Nenhum bebê nasce hoje e ganha o nome de Maria das Dores ou Maria do Perpétuo Socorro. E Marlene? E Ivonete? Qual bebê nesses tempos modernos é registrado com o nome de Geraldo ou Moacir? Mas um dia já foram. Como havia Das Dores e Socorro nesse Brasil de meu Deus. Socorro!

Tudo era mais simples, bastava dizer Jean-Michel para saber que o cara era francês, por exemplo. Helmut era alemão, Giorgio era italiano, Aiko, japonês, e George, americano, não tinha erro. Não tinha Philippos Petsalnikos que não fosse grego. Não existia Martinho finlandês, Sebastião sueco nem Valdir norueguês. Todo português era Manuel ou Joaquim, com certeza.

Nomes vão e voltam. Entram e saem da moda. Mas venhamos e convenhamos que os brasileiros estão exagerando nos nomes estrangeiros. Como tem nascido brasileirinho e brasileirinha chamados Ronald, Johnny, Giovanna, Giulia, Michelle e Daiani. Assim mesmo, Daiani.

Como era fácil se chamar Roberto. Era só dizer Roberto e pronto. Hoje a mocinha chega e diz o nome:

- Giulianna!

Aí começam as perguntas:

- Com G ou com J?

- Com um L só?

- Com o N duplo?

Os brasileiros inventaram um tal de duplo N, duplo P, duplo L, sem contar que reinventaram o Y. Myriam com Y, Nayr com Y e Lya com Y. Tudo isso sem consultar o numerólogo, aquele capaz de transformar o bom e velho Jorge Ben em Ben Jor.

O mundo da bola é um caso a parte. A seleção de nomes brasileiros em 1958 era Edson, Manoel, Valdir, Djalma, Nilton, Joel. Hoje os brasileirões são outros: Neymar, Madson, Liedson, Evaeveson, Willamis, Sheslon, Mithyuê e Maicosuel. Sem contar o Gerley, o Wendel e o Deivid, é claro.

Pais de meninos que viraram jogadores de futebol gostam de inventar e homenagear. Não temos o Fábio Junior, o Fernando Henrique, o Fagner e o Odivan, uma homenagem àquela velha canção do Roberto? Tudo isso sem contar o Pato, o Ganso, o Leão e outros bichos.

Mas não são só esses pais que andaram inspirados na hora de registrar os filhos. Tem nascido muito Maicojacson e muita Laididai por aí. Outro dia vi um Rolistone dando entrevista na televisão e já teve até deputado chamado Ronivon.

Lembra na era hippie a quantidade de Orvalho, Lua, Amora, Brisa e Sol? Claro que já surgiu muito Gilmar na Copa de 58, Amarildo na Copa de 66 e Rivelino na Copa de 70. Como nasceu Romário na Copa de 94. Mas na última, sinceramente, não há notícia de nenhum registro de Dunga.

Já perceberam que gente pobre não quer mais chamar Sebastião, Valdir ou Jurandir? Nem tampouco Raimunda, Filomena ou Cindalva? Agora é Maicon, Wellerson, William e Davidson. Os nomes que antes eram de pobres, hoje viraram de rico. É só dar uma espiada nas revistas de celebridades. Todo dia nasce um João, um Pedro, um Joaquim. Joaquim só na semana passada foram três.

O caso mais engraçado de tudos aconteceu em Minas Gerais, e não é lenda. Registraram uma menininha com o nome de Elis Chamela de Maria.

- Como vai se chamar o bebê, perguntou a moça do cartório.

E o caipira não titubeou. Ao invés de dizer claramente “Maria, porque eles chamam ela de Maria”, ele disse bem mineiramente:

- Ah, elis chamela de Maria...

E assim nasceu uma brasileira chamada Elis Chamela de Maria.

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