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A maldição da eterna mudança

por Francisco Quinteiro Pires — publicado 30/09/2011 13h06, última modificação 30/09/2011 13h06
Miles Davis, criador de um status quo musical, morreu em desacordo com ele

Vinte anos após sua morte, Miles Davis sofre uma ameaça. A casa onde passou a infância e a adolescência, em East St. Louis, no estado de Illinois, foi atacada por vândalos há duas semanas. As janelas quebradas são o símbolo do abandono. Nessa casa, Miles começou, aos 13 anos, a estudar música. No fim da adolescência, e após ser influenciado por Clark Terry, ele se mudou para Nova York, centro da revolução do bebop nos Estados Unidos. Estava decidido a procurar Charlie Parker e Dizzy Gillespie. “Com eles aprendi mais lições do que no resto da minha vida.”

Os herdeiros do trompetista afirmam ter investido “milhares de dólares” para evitar a ruína da propriedade. Apesar da vontade de doar o imóvel e transformá-lo em museu, os familiares de Miles alegam a falta de interesse do governo e de instituições privadas para preservar esse patrimônio cultural localizado à beira do rio Mississippi.

Morto em 28 de setembro de 1991, Miles Davis consagrou-se como mito, segundo o pianista Chick Corea, por ter estado “em permanente desacordo com o status quo musical, mesmo quando ele era esse status quo”. “Eu tenho de mudar”, ele dizia, “essa é a minha maldição.” Com um trompete de timbre ora melancólico, ora luminoso, Miles contestou e ratificou estilos. A obsessão com novos caminhos estéticos e a coragem de correr riscos transformaram a sua obra em referência.

Miles Davis Quintet Live in Europe 1967: The Bootleg Series Volume 1 (Sony Legacy) é a grande novidade da efeméride. Ao contrário do que se afirmava, o catálogo de Miles está em aberto. Primeira de uma série a ser lançada anualmente, a caixa vem com três CDs e um DVD. Com vídeos gravados na Alemanha e na Suécia, o DVD havia aparecido em The Complete Columbia Album Collection (2010).*

*Leia a íntegra da matéria na edição 666 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 30