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Calçada da Memória

A Fama de Mau

por José Geraldo Couto — publicado 07/04/2011 09h00, última modificação 07/04/2011 09h00
Lee Marvin foi um ator particular dentre as estrelas de Hollywood. Gângster inescrupoloso nas telas, defendeu a paz e os direitos dos gays no mundo real

A Segunda Guerra Mundial marcou Lee Marvin (1924-1987) para sempre. Garoto nova-iorquino de classe média, expulso de uma dúzia de escolas por mau comportamento, ele virou adulto no front do Pacífico, onde foi ferido gravemente na coluna. Foi ali que, segundo ele próprio, aprendeu a atuar, “fingindo não ter medo durante os combates mais ferozes”.

Depois de uma breve passagem pelo teatro off-Broadway, estreou no cinema em Agora Estamos na Marinha (Henry Hathaway, 1951). Sua ascensão foi rápida. Em pouco tempo estrelou filmes marcantes como Os Corruptos (Fritz Lang, 1953), com a célebre cena em que deforma o rosto de Gloria Grahame com café fervente, e O Selvagem (Laslo Benedek, 1955), como motoqueiro rival de Marlon Brando.

O tipo físico, a imobilidade de expressão facial, os olhos frios, os precoces cabelos brancos e a voz grave (“Lembrava água gorgolejando por um encanamento enferrujado”, segundo Jean Seberg) pareciam condená-lo aos papéis de vilão ou assassino profissional.

De fato, foi como militar durão, gângster inescrupuloso ou bandoleiro sem lei que Marvin brilhou mais intensamente na tela, em filmes como Os Profissionais, Os Doze Condenados, O Homem Que Matou o Facínora, À Queima-Roupa, Inferno no Pacífico, Agonia e Glória.

Mas esse tough guy era um pacifista (recusou fazer Patton porque não queria “glorificar a guerra”) e foi um dos primeiros astros de Hollywood a declarar apoio ao movimento gay.

Sua visão do estrelato: “Colocam seu nome numa estrela na calçada do Hollywood Boulevard. Você anda por lá e vê um monte de cocô de cachorro sobre ela. Isso diz tudo, baby”.