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Sociedade

Saúde pública

Toda a rede do SUS necessita de mais médicos e atendimento humanizado

por Joseh Silva — publicado 09/09/2013 10h48, última modificação 09/09/2013 11h06
Novos 'rumos' podem mudar a visão sobre o hospital municipal apelidado de Campo Lixo, na zona sul de São Paulo
Joseh Silva
hospital campo limpo

'É prudente que os médicos brasileiros protestem contra a chegada do cubanos?' Foto de Joseh Silva

Dia 3 de setembro, terça-feira, por volta das 20h40 cheguei ao Hospital Campo Limpo. Minha ida até o local era para visitar a minha avó que está na ala de internação. Como não pude entrar, resolvi dar uma volta pela área de atendimento e conversar com alguns usuários. No início do giro, a primeira questão que pensei foi a do programa do governo federal Mais Médicos, uma vez que o hospital sempre foi avaliado pela população local como ruim e apelidado como Campo Lixo. Novos “rumos” podem mudar essa visão.

Na rua lateral, que dá acesso a área de atendimento, encontrei uma senhora que descia com uma criança por volta de 10 anos. “A senhora está vindo do atendimento. Está muito cheio?”, perguntei. “Não, até que não”. Entrei pela lateral e me deparei com umas dezenas de pessoas que estavam por ali.

O atendimento do hospital é dividido em três partes: uma para visitar os internados, outra na lateral que dá acesso à entrada de emergência e outra para uma unidade da AMA (assistência médica ambulatorial).

Na entrada de emergência perguntei se havia clínico de plantão para atender, e a atendente do balcão de informações me direcionou para a AMA. Lá havia mais pessoas aguardando o atendimento. Parei ao lado de um rapaz que parecia impaciente. “Há quanto tempo você está aqui?”, questionei. “Cara, estou aqui desde as 18h. Até agora só passei pela triagem”, respondeu. Fui até a recepção e questionei a funcionária sobre o tempo de espera: “No mínimo duas horas, estamos só com três médicos. Daqui a pouco vai diminuir e vai demorar mais”, respondeu ela fazendo várias coisas ao mesmo tempo. Estava bem atarefada.

Há dois ambientes onde os pacientes aguardam para serem atendidos: um interno e outro “externo”. Este parece um “puxadinho” improvisado onde se tem pouca proteção das condições climáticas.

Do lado de fora, sentei-me ao lado de um casal jovem com uma criança de colo. O pai segurava o bebê. Perguntei o que ele tinha: “Ele está com febre, tossindo e com bastante catarro. Estou aqui decidindo se ele vai tomar medicação ou não. Todas as vezes em que eu trouxe meu filho nesse açougue, as enfermeiras nunca acham a veia dele para aplicar o remédio. Ele sai todo furado, chora muito. Fico com dó. Nós somos grandes, aguentamos, mas ele só chora. Eu fico nervoso. Não sei o que fazer”, relatou o pai.

Fiquei no hospital no máximo 30 minutos, mas não precisaria mais que isso para notar que, não só no Campo Limpo, mas em todos os hospitais, AMAs, UBSs, ou seja, toda rede do SUS necessita urgentemente de mais médicos e atendimento humanizado. São frequentes os relatos de pessoas que diariamente vêm sofrendo com o mal atendimento nos hospitais públicos. A periferia necessita de médicos mais populares e menos soberbos.

Diante do cenário atual do Sistema Único de Saúde, é prudente, então, que os médicos brasileiros (não todos) protestem contra a chegada do cubanos?