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Política

Debate de política para juventude na zona sul causa decepção

por Joseh Silva — publicado 17/07/2013 14h17, última modificação 17/07/2013 14h20
Em encontro com o coordenador de juventude, população mostra preocupação com falhas do Projeto Juventude Viva do Governo Federal
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Gabriel Medina, coordenador de juventude compartilha anseios com sociedade civil

Nesta segunda-feira 70 pessoas ocuparam o anfiteatro (mal acabado) da Casa Popular de Cultura de M`Boi Mirim para participar do Encontro de Políticas Públicas da Juventude. Objetivo era discutir o Programa Juventude Viva, do governo federal, que busca reduzir a vulnerabilidade da juventude negra à violência e prevenir homicídios. Para o diálogo, foi convidado Gabriel Medina, coordenador de juventude da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, além da população local.

Militantes, jovens, coletivos, organizações e movimentos que participaram do encontro chegaram com a expectativa de entender como será a implementação do projeto no município e como, de fato, está o andamento deste, uma vez que esta é a grande frente de atuação do governo federal para combater o extermínio da juventude pobre, negra e periférica.

A fala do coordenador de juventude, para alguns, foi um “balde de água fria” por não atender certos anseios e ainda expor problemas que vêm acontecendo nesta esfera do governo, como falta de recurso: “2 milhões de reais para um projeto que se considera um plano nacional é muito pouco”, disse Medina.

O Juventude Viva tem como estratégia a aproximação de politicas públicas para os territórios com maior índice de jovens em situação de vulnerabilidade social. Em São Paulo, na divisão por subprefeituras, as regiões com mais óbitos por causas externas são Campo Limpo, Capela do Socorro e M`Boi Mirim. É por aí que o projeto vai começar.

Inquietações

Algumas questões inerentes ao projeto são factuais. Rafael Mesquita, militante da União Popular de Mulheres, apontou em sua fala que é necessário entender quem realmente necessita de um programa direcionado, diante da conjuntura dos fatos: “quem precisa de ‘atendimento’? Os jovens que estão na periferia, desarmados e em muitos casos produzindo cultura ou quem está recebendo treinamento para matar?”. Questiona, referindo-se à polícia militar.

Para Caroline Borges, do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Pobre e Negra, é questionável a postura do governo estatual, por não aderir ao projeto. “No ano passado oficialmente 547 jovens foram mortos pela policia, mas, na real, o saldo de 2012 foi de quase 5 mil assassinatos”. Diante destes dados, a não participação do estado, atesta que nada precisa ser feito para minimizar a ação da polícia nas periferias.

O Programa Juventude Viva é uma boa opção para lidar com os problemas que a própria administração do governo causa. Porém, partindo da premissa de que o programa não atua simultaneamente a nível nacional, que não tem recurso suficiente para cumprir o que se propõe, não sabe lidar com as demandas dos jovens de periferia e pela juventude não ser, claramente, o foco de atuação governo federal, efetivamente não dá para esperar muito do programa, como disse o próprio Medina: “fui muito franco e sincero no que eu coloquei. Não quero falar que o Juventude Viva é a melhor coisa”.