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Política

Preconceito

A cara da elite

por Joseh Silva — publicado 03/09/2013 15h41
Se a empregada doméstica tem cara, a elite também tem. De que lado você está?

 

 

Por Antônio Euzébios Filho

Muito se diz que burguesia é coisa do passado, lá dos idos tempos de Marx. No entanto, as declarações preconceituosas (e por que não?, fascistas) de algumas personagens das redes sociais mostram que a classe dominante tem cara, e é formada por gente de carne e osso.

A burguesia no Brasil é algo bem concreto. O site denominado proprietários do Brasil, do Instituto Mais Democracia e da cooperativa EITA, que nasceu com o objetivo de desmascarar as relações entre os setores do empresariado do país, mostra que a classe dominante é composta por poucas famílias e poucos grupos conchavados entre si. Estes, porém, apesar de serem poucos, detém grande parte da riqueza produzida no país, ocupam cargos públicos, além de controlar canais de comunicação de massa, etc. Sendo composta por gente bem nascida, estudada e que goza de prestígio, a burguesia consegue influenciar muita gente com suas ideias e seus interesses, mesmo quem não seja rico, vide a classe média. Veja, por exemplo, o caso da declaração daquela jornalista que tentou desqualificar os médicos cubanos.

Ao compará-los com empregadas domésticas, ela revela não apenas um preconceito individual contra as classes populares, mas um preconceito de classe, propagado pela elite. Além de ser um resquício do tempo da colônia, esta declaração deixa claro que os pobres também tem cara: predominantemente preto e pobre, como a maioria das empregadas domésticas. Mas, também, branco e pobre, amarelo e pobre, vermelho e pobre... Em uma palavra: pobre e explorado! São pessoas com poucos anos de estudo, à margem da linha da pobreza, que enfrenta filas no sistema público de saúde, que trabalham por miséria, etc.

Agora me responda: existe ou não existe luta de classes? De que lado você está?

 

Antônio Euzébios Filho é psicólogo, educador social e professor de psicologia social na FMU