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Política

Violência policial

PM reprime com violência evento cultural no Capão Redondo

por Coletivo KATU — publicado 13/01/2015 14h57
Enquanto jovens da (velha) classe média passam à noite em bares da Vila Madalena, na periferia a nova classe média é tratada com repressão
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Jovens andam de skate pela Estrada de Itapecerica durante manifestação em junho de 2013

Na sexta-feira 9, dia da manifestação contra o aumento da tarifa no centro, que foi violentamente reprimida pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, ocorreu também na zona sul da cidade, região do Capão Redondo, outra ação policial igualmente violenta, porém longe das câmeras da mídia.

Ocorria durante a madrugada no conhecido Bar do Saldanha um evento cultural de música jamaicana, frequentado principalmente por jovens. A festa já é conhecida na região, por suas edições que, até então, tinham acontecido sem qualquer tipo de problema. Esta não era diferente, e um amplo grupo de pessoas ocupava a rua em frente ao bar com o único intuito de se divertir.

Por volta das 2h30 da manhã, no entanto, chegaram algumas viaturas da PM e, sem dar nenhum tipo de justificativa ou mesmo um aviso, foi dado um tiro para o alto, anunciando a chuva de bombas de gás lacrimogêneo. As pessoas que estavam no local, pegas totalmente de surpresa, corriam desesperadas enquanto tentavam entender o que estava acontecendo.

Muitas bombas depois, quando o ataque finalmente foi cessado, diversas pessoas que passavam mal pela enorme quantidade de gás procuravam se sentar onde podiam. Algumas outras foram se refugiar no AMA (Assistência Médica Ambulatorial) que fica próximo do local. Mas a polícia ainda não estava satisfeita, e foi para até o local onde essas pessoas estavam lançar mais bombas: as viaturas pararam na frente do AMA, um policial entrou no prédio com a arma em punho e ordenou que todos saíssem.

Após isso, há ainda noticia de grupos que estavam indo embora a pé (não há transporte público no horário) terem sido abordados e agredidos, e também de viaturas que perseguiram pessoas durante um longo percurso fazendo constantemente ameaças.

Sabemos que essa ação não foi única e isolada. Ela se repete constantemente em todos os locais onde a juventude ocupa as ruas para se encontrar e se divertir, seja no baile funk, no samba, na quermesse. A verdade é que a juventude pobre ocupar as ruas é proibido.

A periferia da cidade é uma terra sem lei, onde os guardiões do estado fazem o que bem entendem sem se preocupar. Atacam, batem, assassinam. E muitas vezes o medo que isso gera na população é tão grande que é difícil encontrar coragem até mesmo para denunciar a injustiça e covardia da polícia.

Muitos tentam entender os motivos desses ataques tão violentos, mas na verdade não há justificativa legal. É simplesmente a demonstração de poder, a necessidade de deixar as pessoas constantemente em pânico, com medo, para que elas não se organizem e lutem, e permaneçam inertes.

A polícia militar é a prova de que a ditadura ainda não acabou, e nas regiões mais pobres das cidades é onde ela é mais forte. Enquanto essa polícia existir, não existirá paz nas periferias. Para virar essa página da nossa história de fato, essa polícia DEVE ser extinta.

Em Junho de 2013, milhões de pessoas não tiveram medo, e foram às ruas para bater de frente. Assim vamos continuar, nenhum passo atrás, pois somente com luta construiremos a cidade que queremos.

Seja na manifestação, no dub ou no baile funk, não recuaremos, estaremos na rua, pois a cidade é do povo.

*O Coletivo Katu é um grupo de jovens educadores e professores que, inconformados com as desigualdades da sociedade capitalista, e insatisfeitos com os sistemas de educação do Estado e das organizações sociais do terceiro setor, buscam se organizar enquanto coletivo autônomo para construir coletivamente novas formas de educação, e novas formas de debater as questões sociais e políticas com a juventude.