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Política

Pesquisa mostra como mães, pais e adolescentes lidam com o tabu acerca da sexualidade e questões de gênero na periferia

por Joseh Silva — publicado 18/12/2013 12h54, última modificação 18/12/2013 16h36
Foram entrevistados 80 pais e mães, com filhos acima de 12 anos e 75 jovens com idade entres 12 e 16 anos.
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Meninas brincam de artistas e posam para foto

O que faz uma jovem optar por engravidar aos 15 anos de idade? A gravidez ainda se dá pela falta de informação? Ou em determinadas comunidades a gestação significa quebra da invisibilidade social e o inicio de uma perspectiva de vida? Por que meninos usam azul e são “garotões” e as meninas usam rosa e são as “princesinhas”? É negativo um homem gostar de balé? Garotas não podem gostar de mecânica?  Vivemos em uma sociedade em que os estereótipos e o senso comum  estabelecem o que cada um vai “ser quando crescer”? Nas nossas decisões somos influenciados por “valores” sociais?

Algumas dessas questões estão na publicação Direitos Sexuais e Reprodutivos – O que você tem a ver com isso? que nasceu a partir da experiência com 20 jovens mães do Jardim Macedônia, Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. O projeto foi executado no decorrer deste ano pelas educadoras Ane Talita Rocha e Natália Landolpho Francisco do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP).

Além de informações importantes em relação ao desenvolvimento do projeto, a publicação apresenta uma pesquisa que, apesar de estar dentro de um território da cidade, expõe dados relevantes que dialogam diretamente com outras realidades: periferia é periferia em qualquer lugar.

A pesquisa é quantitativa e, apesar de, inicialmente, ser empregada como uma metodologia mais pedagógica, em busca de outro olhar destas jovens para sua comunidade, apresenta dados que dialogam com um comportamento social bem comum. O tema escolhido foi o diálogo entre mães/pais e filhas/os no que diz respeito à sexualidade. Foram entrevistados 80 pais e mães, com filhos acima de 12 anos e 75 jovens com idade entres 12 e 16 anos.

Quando indagados se a maneira de conversar sobre sexualidade com as meninas é diferente da maneira de conversar com os  meninos, as mães ficaram divididas: 58% acham que é diferente e 41% acreditam que a conversa deve ser igual. Já 73% dos pais responderam que o dialogo deve ser diferente. Quando questionados o porque  a resposta é totalmente embasada em estereótipos de gênero arraigados na nossa sociedade: “Meninas devem se preservar; meninas são mais delicadas; mais sentimentais e sensíveis. Elas devem se dar ao respeito”.

A publicação coloca outras questões importantes para a sociedade como um todo: Os pais e as mães conversam com suas filhas meninas sobre sexualidade? Quem costuma conversar sobre sexualidade com os filhos meninos? Onde os adolescentes se informam sobre o tema?

São diversos pontos abordados nesta publicação que será lançada dia 21 de dezembro, a partir das 10h no CDHEP que fica na Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180, próximo ao metrô Capão Redondo.