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Política

Opinião

Na quebrada, a direita não entra

por Helena Silvestre, do Luta Popular — publicado 30/03/2015 16h51, última modificação 30/03/2015 17h13
A direita quer enganar a periferia e nós não vamos permitir
josehsilva
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Fiéis da Marcha da Família com Deus ostentam faixa pedindo intervenção militar

Temos visto e vivido uma situação política muito polarizada. Os atos de 13 de março e 15 de março demonstraram que o governo petista de Dilma Rousseff não é inquestionável. A questão que devemos nos fazer a nós mesmos é: Se não aceitamos mais o que está aí, o que queremos pôr no lugar?

Poucas pessoas se perguntam esta coisa tão simples. Mas na política não existem espaços vazios: se algo sai, outra coisa entra. Escrevi este mês um pequeno text que expressava meu sentimento. Não sou do PT, não acredito no PT como instrumento para acabar com o fim da exploração e da injustiça social. Acontece que não passo nem perto de concordar com a direita atrasada e raivosa que vai pra rua pedir Ditadura Militar. Essa direita aparece disfarçada. É o lobo em pele de cordeiro.

Um dos representantes do Movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer, tem declarado que vão organizar atos na periferia de São Paulo. Querem enganar os trabalhadores que, com razão, estão indignados com o governo, e fazê-los de massa de manobra.

O povo tem toda razão de estar indignado. Uma das primeiras ações do governo reeleito de Dilma foi atacar os trabalhadores, alterando as regras do seguro-desemprego e das pensões a familiares de trabalhadores que morreram. Mas a direita não é melhor, pelo contrário, não pestanejaria em atacar com igual ou maior virulência os direitos dos trabalhadores.

Só que, como seu movimento tem uma maioria evidente de classes médias e altas, eles querem se legitimar. Este empresário não tem a menor ideia do que nós sofremos na periferia com o péssimo transporte público, não entende o que é ter de tirar dinheiro da comida pra pagar aluguel, não sabe o que é ser humilhado pelo patrão porque são eles próprios os patrões.

Querem um impeachment para que governe quem? Michel Temer? Mas o partido dele, PMDB, também está envolvido no escândalo de corrupção na Petrobras. Estranho?

A saída é "Abaixo os de Cima! Pra cima o de baixo!"

A única maneira de sairmos dessa falsa divisão entre o dia 13 e o dia 15 é construirmos uma alternativa. Precisamos urgentemente criar um pólo que junte todos os lutadores e lutadoras que querem realmente acabar com a desigualdade social. Fazer isso é fugir das falsas ideias e propostas. Queremos reforma política? Sim! Mas qual reforma? Quem vai fazê-la? A proposta que corre solta por aí deixa nas mãos dos políticos corruptos do Congresso resolver esta questão. Se queremos uma reforma política séria, ela deveria ser feita pelos trabalhadores e trabalhadoras organizados em comitês populares construídos nos bairros, nas fábricas, nas escolas e universidades. Assim poderíamos construir uma proposta realmente popular de reforma política que deveria ser votada diretamente pelos trabalhadores destes comitês. Não dá pra achar que os corruptos irão fazer uma reforma política contra eles mesmos.

Não queremos mais ser enganados pelos governos do PSDB, do PT, do PMDB, e de todos os partidos que servem aos ricos de nosso País. Mas quem irá governar então? O único governo que pode nos salvar é um governo dos trabalhadores. Mas como?
Bem, numa fábrica, quando o patrão não aparece, os trabalhadores produzem tudo do mesmo jeito. Já quando os trabalhadores entram em greve, a produção para. Então pensemos, quem precisa de quem?

Numa escola, a maioria são os alunos e os pais dos alunos. Porque então eles não participam da construção de uma proposta nacional de educação pública? Alguém poderia responder: "Ah! Mas é preciso ser especialista!" Será? Pouco mais de um mês atrás, o ex-ministro da Educação do governo Dilma postou no Facebook uma foto com Xuxa, dizendo que ela é uma grande educadora. Meu deus! Se isso é um especialista, com certeza aqueles que mais precisam de uma educação de qualidade (alunos e pais de alunos) tem muito mais condições de resolver os problemas que os afetam.

Se podemos construir, produzir e organizar tudo a partir da base, porque não podemos ter um governo de comitês de trabalhadores. A direita quer enganar a periferia. Nós não vamos permitir.

Sou contra o governo do PT. Votei nulo no segundo turno. Mas trocar Dilma por Michel Temer é trocar seis por meia dúzia.

Se é pra mudar, que governem os trabalhadores.