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Política

São Paulo

Ameaça de deslizamento deixa 200 famílias desabrigadas

por Joseh Silva — publicado 01/05/2014 22h33, última modificação 30/05/2014 15h31
Rachaduras começaram a aparecer no sábado nas casas da favela Erundina, zona sul de São Paulo. A Defesa Civil interditou ao local, que foi visitado por Haddad
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Assembleia

Haddad conversa com moradores da Favela de Erundina no patio da escola De Gaulle

Cerca de 200 casas foram interditadas hoje pela Defesa Civil hoje na comunidade conhecida como Favela da Erundina, no Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo. O motivo é uma ameaça de deslizamento após a aparição de rachaduras nas casas desde o último sábado.

Na tarde desta quinta-feira o prefeito Fernando Haddad e diversas secretarias e departamentos da prefeitura estiveram no local. O prefeito se comprometeu em buscar uma solução o quanto antes. “Não vamos economizar energia nem recurso da Prefeitura. O momento é delicado”, afirmou Haddad, que também conversou sobre o assunto por telefone com o governador Geraldo Alckmin.

O motivo das rachaduras ainda não é certo. Os moradores apontam como hipóteses, duas obras do governo do estado que estão em curso ao lado da comunidade. Uma delas é da Sabesp, que está trabalhando na rua que dá acesso à favela. Desde que esta intervenção começou, relatam as famílias, muita água começou a surgir nas vielas. Eles também apontam como possível causa uma obra do metrô ali perto.

Segundo técnicos da Prefeitura, chama a atenção o fato de o solo estar muito encharcado neste momento em que não está chovendo na cidade.

Para a geóloga Simone da Silva, pode ser uma junção de fatores. “Este é um assentamento antigo, há pessoas que moram aqui há 30 anos. Com o tempo, as casas foram sendo ampliadas, ficando maiores, e hoje há algumas com até 4 andares”, afirma Simone. “Isso pode ter sobrecarregado o sistema de esgoto e levado ao seu rompimento em alguns pontos”. A geóloga ressalta ainda que na região há duas minas d`água. “O morro é alto e o barranco está mexendo, atingiu casas lá de cima até em baixo. O risco de desabamento não está descartado”, completou.

Lideranças comunitárias estimam que cerca de 900 pessoas foram atingidas. A maioria está em casa de parentes. No entanto, 44 famílias – 142 pessoas, entre adultos, crianças e idosos – não têm para onde ir. A Secretaria de Assistência Social do município está vendo como abrigar esse grupo.

Durante a visita, Haddad afirmou que o subprefeito de M`Boi Mirim, Antônio Carlos, tem o aval para “mobilizar todo e qualquer equipamento público ou, se for necessário, privado. Pode alugar um espaço grande por um tempo provisório, por exemplo.

Durante todo o feriado deste primeiro de maio secretarias e departamentos municipais estiveram no Jardim Ibirapuera (Assistência Social, Saúde, Habitação, Infraestrutura e Defesa Civil). Contudo, a reportagem passou o dia lá e não viu nenhum representante do governo estadual, seja de secretarias, Sabesp ou metrô.

Para os moradores, restam as incertezas. “Minha casa não tem rachadura, mas o pessoal da Defesa Civil disse que não posso dormir aqui. Não entendi”, disse Edilene Cristiana, 26 anos.

“Estou muito triste, gastamos tanto... E agora a gente se vê nessa situação”, lamenta Eliete Evangelista Santos de Jesus, 45 anos, com os olhos marejados. Como tantos outros, ela está há 20 anos na comunidade.

Selma Pinheiro, 42 anos, diz que a situação desencadeou uma lembrança de sua infância: “Quando eu tinha cinco anos de idade, perdi uma casa. Saí só com a roupa do corpo. Desta vez, pelo menos, estou saindo com os móveis e as roupas". Selma ficará na casa de uma irmã, mas lamenta pela amiga Valdene Alves da Silva, 44, sua vizinha há 15 anos. Ela passou a noite na quadra da escola municipal ao lado (General De Gaulle) com filhos e netos. “Tem três noites que não durmo com medo da casa cair por cima de mim. Não volto mais para lá. Acho que vamos passar o final de semana aqui... mas segunda-feira tem aula, não sabemos como vamos ficar”.