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Cultura

São Paulo

Bienal de Arte abre espaço para a cultura periférica

por Joseh Silva — publicado 05/09/2014 14h47, última modificação 05/09/2014 16h12
Mais de 20 atrações vão mostrar, até dezembro, a cara da arte e da cultura feita longe do centro das grandes cidades
Joseh Silva
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Sarau do Binho, que será reproduzido na Bienal de Arte

Saraus, coral indígena, distribuição de livros, balé, cultura afro, futebol de várzea, batalha de rimas, dança contemporânea, funk. Estes são alguns elementos da cultura periférica, povos de terreiro e indígenas, que fazem parte da programação da 31ª Bienal que acontece em São Paulo entre os dias 6 de setembro e 7 de dezembro – entrada gratuita. O tema desta edição é Como (...) coisas que não existem.

A partir do próximo domingo 7, às quartas-feiras e aos domingos, haverá apresentação de ações culturais que acontecem nas periferias. Para tornar isso possível, diversos ativistas ligados à cultura se juntaram para montar uma programação que contemplasse o máximo de linguagens e expressões que hoje fazem a agenda cultural de quem mora nos bairros mais afastados dos grandes centros urbanos do Brasil.

Dentro da linguagem de sarau de poesia, o Sarau do Binho também estará presente com os poetas que cotidianamente recitam neste espaço. Segundo Robson Padial, o Binho, será mostrado na Bienal o que de fato acontece no sarau que fundou: “Essas ações vêm coroar o que estamos fazendo. Além da autoestima que dá para as pessoas que participam. Tem um aspecto da arte delas ser valorizada também. A gente não está por baixo de nada. É nossa arte, é o nosso jeito de fazer. E estar na Bienal é um avanço para a quebrada. É o reconhecimento e a valorização deste trabalho”.

Outo coletivo de sarau que também participará desta edição da Bienal é o Verso em Versos, que há 2 anos, sempre na última sexta-feira do mês, promove um encontro de poetas, simpatizantes e adeptos da poesia no Espaço Comunidade, que fica no Monte Azul, zona sul paulistana.

Para o articulador cultural Jaime Diko Lopes, em algum momento isso iria acontecer. Ele considera que a efervescência cultural na periferia, fez com o que acontecesse “da ponte prá cá”, fizesse parte do mapa cultural da Cidade. “Nada melhor do que ser convidado. Diferente de ocupar. Isso é o reconhecimento do que fazemos. Demoro para isso ter acontecido. Vai ocorrer mais vezes ainda”.

A expectativa da quantidade de pessoas que irão passar por esta edição, segundo Luiza Proença, curadora associada, é de 500 mil pessoas. Para ela, a participação da cultura periférica é importante “para que o público da bienal entenda e tenha a disposição de olhar para outras coisas que acontecem na cidade de São Paulo. E esta programação é feita por artistas que não estão na academia, mas que geram cultura tão valiosa quanto”.

 

Confira a programação de setembro dos artistas da periferia:

7/09 - DOMINGO

16h - Treme Terra Esculturas Sonoras. Há 22 anos, o mestre Aderbal Ashogun promove ações de articulação entre artistas plásticos, mestres de cultura popular e sacerdotes dos povos e comunidades tradicionais. Também realiza a curadoria da mostra de arte natural na floresta da Tijuca: “Arte como oferenda”. O “Treme Terra Esculturas Sonoras” mescla em seu trabalho percussão, ritmo, poesia e cultura urbana do candomblé em um Flash Mob Ancestral cujo objetivo é reconectar seus participantes com suas tradições e a natureza.

Coral Guarani Xondaro. O coral traz a apresentação de cânticos religiosos infantis, ensinados pelos mais velhos da aldeia. Eles falam principalmente do mito religioso da Terra Sem Mal, lugar sagrado para os Guaranis, simbolicamente do outro lado do oceano, e dos valores morais que devem pautar a vida de todo membro da comunidade para atingi-la.

Baltazar Honório. Poeta e músico, Baltazar irá recitar o poema Enquadro. “Acho que as pessoas vão achar que é um assalto quando eu começar. Eu vou rir e dizer que é arte”, afirma.

 

10/09 – QUARTA-FEIRA

19h - Sarau da Kambinda. Acontece no Teatro Popular Solano Trindade, na cidade de Embu das Artes, e vai promover a poesia e o encontro de poetas e artistas que fazem parte do movimento cultural periférico e de matriz africana, valorizando a literatura e as histórias de vida de pessoas como a dona Raquel Trindade, artista, pesquisadora da cultura popular e coreógrafa, filha do poeta Solano Trindade. O sarau é produzido e apresentado por seu neto, o rapper Zinho Trindade, poeta, músico e, agora, pai de Flora, a mais nova bisneta de Solano.

 

14/09 – DOMINGO

16h - O Menor Sarau do Mundo. Intervenção em que participam o poeta e um público de até três pessoas sob um guarda-chuva. Com duração de 1 minuto e 20 segundos, o poeta declama três poemas curtos autorais de alto teor de entorpecimento. O guarda-chuva estilizado, com uma pitada de imaginação, torna-se uma pequena grande casa de espetáculos, onde a palavra é o astro maior.

 

21/09 – DOMINGO

Bicicloteca. Criada em 2008 na Expedición Donde Miras, em Mongaguá, a biciloteca empresta livros nas casas dos moradores. Hoje é realizada no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Numa bicicleta adaptada com livros, o projeto tem como objetivo o incentivo à leitura de forma desburocratizada. A Brechoteca, local onde há uma biblioteca comunitária, um brechó e várias atividades com a comunidade, é a sede, onde há incentivo a leitura através de premiações.

16h - Balé Capão Cidadão. Sessenta bailarinas do projeto Balé Capão Cidadão dançam um repertório de coreografias criadas durante o processo de aulas das oficinas de balé clássico, dança-teatro e dança de rua. O projeto vem de oficinas de diferentes linguagens da dança para as participantes entre seis a dezesseis anos na comunidade do Jardim Valquíria, através da ONG Capão Cidadão. As oficinas de dança, em parceria com a de reforço escolar no ano de 2013, desenvolveram como proposta pedagógica o estudo e a vivência da cultura brasileira e vêm por meio desse espetáculo apresentar toda riqueza e amor que têm por essa pátria, chamada Brasil.

 

24/09 – QUARTA-FEIRA

19h - Sarau A Plenos Pulmões. Organizado por Marcos Pezão, fundador da Cooperifa, e dona Otília, o sarau A Plenos Pulmões acontece em diversos espaços da cidade de São Paulo com a participação de muitos poetas que acompanham o movimento de saraus há mais de 15 anos. Pezão acredita na literatura que constrói pontes entre os habitantes da cidade, diminuindo preconceitos territoriais.

 

28/09 – DOMINGO

16h - O Que Dizem Os Umbigos?! O Sarau “O Que Dizem Os Umbigos?!" nasce da pergunta que leva o seu nome e sua ideologia. As relações humanas partem cada vez mais para o âmbito individual, o que nos distancia do diálogo, da troca de experiências e do exercício da escuta; é nesse momento que entramos em cena para fazer a pergunta que estimula o mover: “O que dizem os Umbigos?”, com o intuito de que paremos um pouco de “olhar para os nossos umbigos e passemos a dialogar com o umbigo do outro”.

 

8/10 – QUARTA-FEIRA

19h – Praçarau. Criado há quatro anos na zona sul de São Paulo, é hoje o único sarau ao ar livre na cidade. Música, dança, poesia, performances, tudo se mistura no espaço aberto a quem quiser. O sarau conta com o apoio de diversos coletivos parceiros, assim como os próprios moradores, que colaboram com a limpeza e manutenção do local. Isso tem mobilizado cada vez mais pessoas em torno de importantes reflexões sobre o espaço geográfico onde acontece o sarau. O Praçarau é realizado às terças-feiras na praça Danilo Honório, na Cohab Adventista, a partir das 20h.

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