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Pela sina dos medíocres

por Nirlando Beirão publicado 03/05/2013 11h51, última modificação 03/05/2013 11h53
A lógica do taxista. Congresso bom é Congresso fechado, Marcelo Tas?

A lógica do taxista. Congresso bom é Congresso fechado, Marcelo Tas?

Marcelo Tas é um sujeito bacaninha hoje prisioneiro de uma bobagem. Ninguém pretende que ele volte no tempo, em hilariante nostalgia, para reencarnar o incisivo e sarcástico repórter Ernesto Varella, aquele que conseguiu desconcertar até o blindado Paulo Maluf. Mas o CQC, convenhamos, é um pouco de menos para o talento de Marcelo Tas.

Quem assiste compenetradamente, como ele, às ilustradas aulas de Zé Miguel Wisnik sobre Fernando Pessoa não pode ter-se resignado à mediocridade alheia. O CQC consiste em soltar ao mundo repórteres supostamente valentes dispostos a cometer uma covardia.

Escrevi “ao mundo”, mas, na verdade, as incursões punitivas do CQC se resumem quase exclusivamente ao Congresso Nacional e ao achincalhe fácil de parlamentares ingênuos ou exibicionistas.

O Congresso, bem ou mal, acredita na vocação de Casa do Povo. Você entra sem pedir licença, assesta a câmera e espera para dar o bote, em surto ególatra.

Reitera, semanalmente, a lógica autoritária dos taxistas: Congresso bom é Congresso fechado. Mesmo que ele tenha sido eleito por nós mesmos – a tribo do CQC incluída. O Supremo Tribunal Federal, nem pensar.

O Forte Apache, QG do Exército em Brasília, imagina. O humor inquisitorial do CQC é fácil e seletivo. Marcelo Tas alega que é da natureza do jornalismo desafiar o poder (a Band, por sua vez, prefere dizer que o CQC não é jornalismo).

Assim é de fato. Mas os parlamentares não são, no Brasil, senão um fiapo do poder. O poder verdadeiro, implacável, está nos especuladores do mercado, na elite autocrática, nos conglomerados da mídia. A essa gente o CQC serve, sorridente. Com essa gente o CQC não quer briga.