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O Chacrinha imberbe

por Nirlando Beirão publicado 17/08/2014 09h46, última modificação 17/08/2014 09h50
Se não enlouquecer antes, Fábio Porchat vai ser o melhor apresentador de tevê em décadas
Reprodução

Se não enlouquecer antes, Fábio Porchat vai ser o melhor apresentador de tevê desde o Chacrinha. Se enlouquecer, talvez fique ainda melhor. Ou quem sabe louco ele já não é, embora use da artimanha de atribuir à sua consorte de palco, Tatá Werneck, a chama da insanidade. A moça às vezes faz por merecer, mas o moço é quem tem tudo para triunfar, em vertigens de camisa de força, num veículo que Stanislaw Ponte-Preta premonitoriamente apelidou de “máquina de fazer louco”.

Fábio Porchat não é, porém, de rasgar dinheiro. Tem um extraordinário domínio do palco, do auditório, do ponto e do TP, ou seja, do teleprompter, e quem conhece tevê sabe o desafio que é se revezar entre uma coisa e outra sem se atrapalhar. Aliás, Porchat faz da atrapalhação uma virtude, do erro uma graça, do improviso um final sempre feliz. Ele é uma mistura do Faustão dos tempos de irreverência (e não este Faustão de hoje, da cólera pseudopolitizada e da banalidade dançante) com os americanos da melhor linhagem dos parlapatões do rádio e da tevê, tipo Howard Stern e Stephen Colbert.

Com cara de mocinho de família, o cabelo arrepiado para simular certo desmazelo, o atropelo muito estudado, em coreografia que deve lhe custar muito mais quilinhos do que aos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, Fábio Porchat fez de Tudo pela Audiência (no canal Multishow) um deboche ensandecidamente literal. O último episódio foi ao ar na segunda-feira 11. A emissora avisa que ano que vem vai ter sequela.

Peraí – vocês podem perguntar. E o programa? Não precisa. O programa é um lixo. Muito proposital. Nada de diferente se poderia esperar quando o humor da tevê resolve se olhar no espelho.