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Cultura

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Nova versão de 'O Rebu' é um evento de alta voltagem

por Nirlando Beirão publicado 19/07/2014 23h57
Tensão da trama reforçada pela imagem saturada simula um film noir e abusa de infinitas repetições e playbacks

Um morto na piscina (o tributo ao Billy Wilder de Sunset Boulevard é explícito). Imediatamente, todos os que estão na festa tornam-se suspeitos. Não há ali, entre os ricos disfuncionais, seu entourage de parasitas e o ladrãozinho penetra, quem não tenha culpa no cartório. Oh, Lord, don’t let me be misundertood, esgoela a irônica trilha. Tudo o que vai acontecer a partir daí, na camuflagem do mistério, será, sim, um apocalíptico mal-entendido, tremendo de um rebu – como se dizia nos anos 70, quando a novela de Bráulio Pedroso chegou para pôr pilha na linguagem da teledramaturgia.

O que vai se arrastar por dois meses e três dezenas de capítulos (no original de 1974/1975 foram seis meses e 112 capítulos) mantém o tempo dramático de 24 horas. Implica infinitas repetições, além do bombardeio impiedoso de playbacks. O diretor José Luiz Villamarim domina o ofício. O Rebu versão 2014 (às 22h25, de segunda a sexta, na Globo) é evento de alta voltagem, a tensão da trama reforçada pelo artifício da imagem saturada que simula, atrás da cortina da chuvarada, um clássico film noir.

Amores sáficos e amores sádicos apimentam a imposição do aggiornamento, que também está no figurino de decotes vertiginosos e na onipresença dos celulares. Em O Rebu de outros tempos brilharam talentos como o de Ziembinski, o ator polonês que encarnou Conrad Mahler. O papel dele foi reverentemente reescrito para Angela Mahler, a nova dona da festa. A radiosa presença de Patrícia Pillar compensa esta e qualquer outra ausência.

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