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Na Globo, a voz do Apocalipse

por Nirlando Beirão publicado 09/08/2014 09h04, última modificação 09/08/2014 11h45
Luís Fernando Silva Pinto anda trabalhando muito, os olhos se arregalando em êxtase jornalístico, a voz com aspereza de tragédia à medida que crianças morrem em Gaza
Reprodução

Seus coleguinhas do já falecido Jornal da Tarde espantaram-se com sua esperteza de olhos bem abertos e uma curiosidade farejadora de notícias que acabou por lhe tributar – e não por uma eventual semelhança fisionômica – o apelido que lembrava um roedor. Era um garoto, ao desembarcar naquela redação encharcada de veneno. Sobreviveu magistralmente.

Luís Fernando Silva Pinto acabou na tevê, correspondente em Washington da Rede Globo. Na cobertura daqueles trevosos anos Reagan, apurou o estilo esbugalhado mas caracteristicamente acrítico de jornalistas que exercem seu ofício à sombra do poder – no caso, à sombra da Casa Branca. Correspondentes costumam se comportar como se fossem membros do gabinete presidencial e, como tal, acabam se transformando em porta-vozes dos porta-vozes. Repetem o que o poder quer que eles digam. Haja vista a balela das armas de destruição em massa do Saddam Hussein.

Mais complicada é ainda a vida de Silva Pinto, já que presta serviço a uma emissora chapa-branca – em relação ao Império do Norte. Chegou a desistir, mas a queda das Torres Gêmeas levaram a Globo a readmitir às pressas o ofegante correspondente.

Ele anda trabalhando muito, nas últimas semanas, os olhos se arregalando em êxtase jornalístico, a voz com aspereza de tragédia à medida que crianças são trucidadas em Gaza (o correspondente da Globo culpa, naturalmente, o Hamas) e aviões caem do céu misteriosamente. Se o Apocalipse vier a precisar de um locutor experimentado, basta convocar o Silva Pinto.