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GP da Vaidade no Roda Viva

por Nirlando Beirão publicado 27/04/2014 11h14, última modificação 27/04/2014 11h23
Há 28 anos, Senna ainda era um garoto, e Galvão Bueno já se encantava com sua própria pessoa. Por Nirlando Beirão
Reprodução
Ayrton

Ayrton, aos 26 anos, no Roda Viva: entre o prazer e o perigo

Aos 26 anos de idade, Ayrton Senna era um ser humano. Mas Galvão Bueno já tinha deixado de ser. Homenagem ao piloto, morto há duas décadas em Imola, na Itália, a reedição do Roda Viva de 15 de dezembro de 1986 derrubou certas versões e reiterou outras. O tempo é um revisor implacável.

Foi comovente rever, 28 anos atrás, um Ayrton descontraído, conduzido por uma sinceridade jovial e por uma espontaneidade carregada de simpatia – aquele combustível de humanidade que iria turbinar o mito para além da tragédia. Em 1986, ele ainda não chegara ao título mundial, mas já pisara no pódio dos campeões por quatro vezes. Na entrevista, Ayrton alterna-se entre o garoto para quem pilotar é uma vocação brincalhona e o profissional que já sentia na pele o calor da competição e do perigo. Sempre risonho – muito diferente daquele Senna que viria depois, sujeito emburrado e terrivelmente ranzinza.

Observar a bancada dos entrevistadores do Roda Viva de 1986 foi também altamente pedagógico. Galvão Bueno já era integralmente o que é, incapaz de ouvir o que dizem a seu redor, o tagarela encantado com suas próprias palavras – e ali, desesperado em demonstrar uma suposta intimidade com o ídolo. É bom que a Cultura embarque mais assiduamente na maré das reedições. Decididamente, antes de virar um horário de programa político (às segundas, às 22 horas), o Roda Viva teve momentos melhores.