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'Chegadas e Partidas' flui com a experiência de Astrid

por Nirlando Beirão publicado 06/12/2014 07h52
Na sexta temporada, apresentadora consolida-se como um raro caso de alguém que sabe ouvir e falar na televisão
Reprodução
Chegadas e partidas

Astrid Fontenelle em "Chegadas e Partidas", adaptação brasileira de "Hello Goodbye"

O formato não é original, vem daquela surpreendente usina de conteúdos televisos que é a Holanda. Em 2005, Hello Goodbye estreou no canal aberto NCRV – uma série sediada no local preferencial de encontros e despedidas, de surpresas e decepções invariavelmente banhadas em lágrimas de alegria ou de tristeza. O aeroporto é hoje o que a plataforma de trem foi quando Ingrid Bergman e Humphrey Bogart se perderam um do outro em Casablanca.

Um âncora esperto, uma produção atenta e histórias que se desenrolam, com dramaticidade espontânea, no saguão dos atropelos nervosos e nas entendiantes salas de espera.

A adaptação brasileira,  em sexta temporada (Chegadas e Partidas, GNT, às quartas-feiras, 21h), não tem o civilizado Schipol de Amsterdã como cenário, contentando-se com Cumbica, o Galeão e o Santos-Dumont, mas encontrou em Astrid Fontenelle a tranquilidade experiente e bem-humorada de quem, caso raro na tevê, não é, Regina Casé?, sabe ouvir e sabe falar.

O desfile às vezes convulsivo de amores e desamores, de sonhos que viajam e de derrotas que retornam, depende da saturação dramática das imagens, um mérito de Chegadas e Partidas, mas, se não fosse por mais nada, a série já satisfaria ao oferecer aos ouvidos mais atentos uma trilha sonora (Johnny Cash, Cat Stevens, Os Mutantes) capaz de sublinhar a partitura sedutora da trama sempre inesperada.

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