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Cultura

Rio de Janeiro

Botika é um boboka

por Nirlando Beirão publicado 10/06/2013 16h07
O Botika foi ocultado, em 30 anos de vida, pelo mais abissal dos anonimatos, mas com base na prerrogativa de revolucionário de vaudeville se achou no direito de atacar o prefeito Eduardo Paes
José Cruz / ABr
Eduardo Paes

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que se envolveu na discussão com o músico Bernardo Botkay

Bernardo Botkay, aliás Botika, foi ocultado, em 30 anos de vida, pelo mais abissal dos anonimatos, ressalvada apenas aquela solidariedade sorridente e medíocre da curriola udenista da Zona Sul do Rio, direita festiva que ora vota Gabeira, ora vota Marina, mas que gostaria mesmo era de estar votando – assim como votavam seus pais, golpistas de 1964 e fiéis leitores de O Globo – no agourento Carlos Lacerda.

O Botika é figura folclore, borboleteando pelas mesas dos amigos nos botequins ideológicos dos new cons. Insiste no matraquear autopromocional de suas musiquinhas e de seus textos, sempre à espera do reconhecimento público de que, segundo ele, sua obra seria merecedora. A gente conhece o tipo, esses artistas de superfície e anarquistas de araque.

Com base nessa prerrogativa de revolucionário de vaudeville é que o Botika se achou no direito de, dias atrás, atacar o prefeito Eduardo Paes, do Rio, com palavrão e grosseria. Paes, que almoçava com a família, ainda tentou se esquivar com ironia – « mas eu sou o Cesar Maia… » – o que só atiçou o surto do autointitulado artista. Outros palavrões foram arremessados contra Paes, enquanto a turma do deixa-disso tentava apaziguar. O Botika se retirou, mas voltou ao ringue, tendo a namorada a tiracolo e novas ofensas engatilhadas. Recebeu um soco do prefeito e se estatelou no chão. Deve ter saído feliz, herói de si mesmo por uma noite, embalado pela simpatia tosca daqueles que pensam que «político é tudo igual».

O jornalista Ronaldo Bressane tomou as dores do Botika nas páginas do Estadão, dando-lhe espaço para desabafar seus lugares-comuns e tratando-o como se fosse uma mistura de Jean Genet com Jean-Michel Basquiat. Bressane diz que Botika é boa-praça. Boa-praça é Ronaldo Bressane. O jornalista invoca o testemunho cúmplice de Marcelino Freire e de Mario Bortolotto, que teceram elogios aos dois livros de Botika. Bem, são elogios do Marcelino e do Bortolotto.

O brigão anuncia para breve o primeiro disco solo, Picolé da Cabeça. A bordo de seus 15 minutos de celebridade, o Botika promete arrebentar.

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