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Cultura

Tevê

A sedução do cenário

por Nirlando Beirão publicado 27/07/2014 10h38, última modificação 27/07/2014 11h42
A aposta da novela Império de preencher o vazio (literalmente vazio) deixado por Em Família e a angústia de uma audiência que vem minguando
Alex Carvalho/TV Globo
Império

Momento National Geographic em Império: a imagem não é tudo

Por alguns momentos ficou a impressão de que seria o helicóptero o protagonista de Império, a novela que passou a ocupar o horário nobre da Globo no vazio (literalmente vazio) deixado por Em Família. O helicóptero teve muito trabalho no capítulo inicial. Veio para reiterar, em sobrevoos sobre rochedos, platôs e cachoeiras, aquele costume da dramaturgia da Globo – o de apostar na sedução de cenários encomendados à National Geographic antes que o telespectador acabe por se resignar ao rame-rame daquelas conversinhas de telefone e de sala de jantar.

Já foi Machu Picchu, já foi a Capadócia. Sempre pode ser Paris ou pode ser Veneza (o flash rápido de Genebra acionou em prol de Império a agência de viagens do Projac, se bem que aquela Genebra de raspão podia facilmente ser uma Buenos Aires).

Por via das dúvidas, a Globo aposta, de cara, na paisagem. Depois a gente vê como é que fica a narrativa. À primeira vista, a de Império, sob o comando de Aguinaldo Silva, terá drive e emoção.

A história, centrada no universal tema do acaso (aqui, melhor traduzir por fortuna), promete. O elenco também. Se você tem Regina Duarte e Reginaldo Farias como figurantes, em aparição relâmpago, é porque tem muita confiança no resto do time.

Titular do horário nobre, Aguinaldo Silva encara a angústia de uma audiência que vem minguando e um formato em crise. Pode até não salvar o gênero, mas Império poderá ao menos suavizar o desespero.

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