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A sabedoria de "Império" está em não economizar nada

por Nirlando Beirão publicado 31/08/2014 09h44
Depois de "Avenida Brasil", ou com ela – a teledramaturgia não suporta mais aquele blá-blá-blá melífluo das copas e livings que fizeram o apanágio das novelas
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Avenida Brasil, aquela novela de antologia criada por João Emanuel Carneiro, acordou em Aguinaldo Silva aquele diabinho que espreita em seu Twitter. Nada muito rude, como costumam ser suas diatribes contra Walcyr Carrasco, outro concorrente seu. “A moda agora é trocar a dramaturgia pela gritaria”, postou Aguinaldo, a respeito da estridente Amor à Vida, de Walcyr. “Em Avenida Brasil funcionou? Sim, porque nela tinha gritaria com dramaturgia.”

A alfinetada em João Emanuel não chegou a configurar uma ostensiva dor de cotovelo por parte de Aguinaldo Silva – ele que deveria se tranquilizar com o privilégio de só sair do sossego quando é para ocupar o horário nobre. Nem sempre com o mesmo sucesso obtido por Senhora do Destino ou Fina Estampa, embora esta não tenha sido exatamente a culminância de sua expertise.

Império é um Aguinaldo Silva em sua melhor forma. Dá para perceber que ele aprendeu que – diria eu: depois de Avenida Brasil, ou com ela – a teledramaturgia não suporta mais aquele blá-blá-blá melífluo das copas e livings que fizeram o apanágio das novelas. Império suspende a respiração do espectador numa vertigem de acontecimentos sucessivos e divertidos. A sabedoria de Aguinaldo consiste em não economizar nada – nem das situações nem dos personagens. Impossível adivinhar onde ele pretende chegar. Melhor assim.

O que não significa que o autor não alterne movimentos diferentes como se fossem os de uma sinfonia. Em Império, o adágio é proporcionado pelos afetuosos intercursos que juntam no mesmo lençol o rico Comendador Zé Alfredo (Alexandre Nero) e a doce lolita Ísis (Marina Ruy Barbosa). De fato, o adágio é o movimento do amor.