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Um beijo gay na Câmara

por Redação — publicado 20/05/2015 16h32, última modificação 20/05/2015 17h00
Em meio a polêmica, a cantora Daniela Mercury e a jornalista Malu Verçosa se beijaram na abertura de seminário LGBT
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Daniela Mercury e Malu Verçosa

Daniela Mercury e Malu Verçosa durante a abertura do seminário

A cantora Daniela Mercury e sua esposa, a jornalista Malu Verçosa, abriram o XII Seminário LGBT‬ do Congresso, nesta quarta-feira 20, com um beijo. Convidadas especiais, as duas foram parar no centro de uma polêmica na terça-feira 19 depois que o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de tentar censurar o evento.

De acordo com Wyllys, que é colunista do site de CartaCapital, Cunha teria criado dificuldades para a realização do seminário porque o convite para o evento trazia uma foto de Mercury e Verçosa se beijando. De acordo com Wyllys, Cunha teria exigido uma autorização de uso da imagem assinada pela cantora para divulgar o convite e, mesmo depois de o documento ser apresentado, teria se recusado a enviar a convocação usando a estrutura da presidência da Casa, como seria o costume.

Cunha, afirmou Wyllys, também proibiu que fossem colados cartazes sobre o evento nos corredores da Câmara, medida inócua segundo o deputado uma vez que eles já tinham sido espalhados pelo prédio.

Nesta quarta, durante o seminário, Wyllys afirmou que a organização do evento teve de "enfrentar os deputados conservadores", mas que o objetivo é combater o "discurso de ódio" com "empatia e alegria". Para a deputada Erika Kokay (PT-RJ), o seminário "é para reafirmar a humanidade". "A vida exige de nós coragem, coragem de amar, de ser e de transformar esse país para que seja uma pátria mãe gentil", disse.

Evangélico, Cunha é conhecido por seu conservadorismo social, sobre o qual fala abertamente. Em março, durante um culto na Câmara, Cunha afirmou que "a maioria da sociedade pensa como nós pensamos” e que é preciso deixar que “a maioria seja exercida, e não a minoria”.

Desde que assumiu a Casa, Cunha empregou companheiros de fé em cargos importantes. O deputado federal Cleber Verde (PRB-MA) foi designado para gerir todo o sistema de comunicação da Câmara, enquanto a teóloga evangélica Maria Madalena da Silva Carneiro vai comandar a Diretoria de Recursos Humanos da Casa, segundo o site Congresso em Foco.