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Política

Operação Lava Jato

Temer pediu propina de R$ 1,5 milhão para Chalita, diz Machado

por Redação — publicado 15/06/2016 15h28, última modificação 15/06/2016 18h26
Ex-presidente da Transpetro diz ter acertado com o presidente interino recursos ilícitos para a campanha de Chalita à Prefeitura de São Paulo
Beto Barata /PR
Michel Temer

Temer nesta terça-feira 15, durante reunião com líderes em Brasília: o interino está agora no centro do furacão da Lava Jato

A delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, parte das investigações da Operação Lava Jato e tornada pública nesta quarta-feira 15, traz graves acusações contra o presidente da República interino, Michel Temer (PMDB).

De acordo com Machado, Temer pediu recursos ilícitos para financiar a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012, e reassumiu a presidência do PMDB para "controlar a destinação dos recursos" remetidos ao partido.

Machado afirma que o valor acertado com Temer para a campanha de Chalita foi de 1,5 milhão de reais e que a negociação ocorreu em setembro de 2012, na base área de Brasília. Segundo ele, a “doação” teria sido feita pela construtora Queiroz Galvão.

Conforme relatou Machado em sua delação, “o contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”, que o candidato do PMDB “estava com problema no financiamento da candidatura” e “não estava bem na campanha”.

 

Delação de Sergio Machado

 

A fala de Machado foi uma explicação a respeito da conversa entre ele e o ex-presidente José Sarney (PMDB) gravada no dia 10 de março. Na ocasião, Machado revela a Sarney que fez uma “contribuição” a Temer.

“Eu contribuí pro Michel para a candidatura do menino [para os investigadores, o “menino” seria Gabriel Chalita]. Falei com ele até em um lugar inapropriado, que foi na base aérea”, afirmou Machado, conforme áudio revelado pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Em nota divulgada no início da noite, o Palácio do Planalto afirmou que "é absolutamente inverídica" a versão de que Temer solicitou recursos ilícitos a Sérgio Machado, "pessoa com quem mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade".

Chalita disputou as eleições de 2012 pelo PMDB de Temer e foi secretário municipal da Educação de São Paulo na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). Chalita estava no cargo desde janeiro de 2015 foi exonerado no dia 2 de junho. Cotado para ocupar a vaga de vice na candidatura do petista à reeleição, Chalita saiu do PMDB após o rompimento do partido com o governo de Dilma Rousseff e filiou-se ao PDT.

O acordo JBS-PMDB-PT

Em um segundo depoimento no âmbito da delação premiada, Machado relata ter ouvido de diversos senadores que o PT havia conseguido uma doação de 40 milhões de reais para o PMDB para as eleições de 2014.

O dinheiro viria da JBS, frigorífico brasileiro que nas gestões petistas se tornou uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e a informação teria sido confirmada por um diretor da companhia. Machado não sabe dizer se a JBS teria recebido algum favorecimento em troca dessa doação.

Segundo Machado, esse dinheiro iria apenas para a bancada do PMDB no Senado, nomeadamente para "Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Vital do Rego, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Roberto Requião e outros".

A informação sobre a doação da JBS ao PMDB do Senado, afirma Machado, chegou ao PMDB da Câmara e deputados do partido foram reclamar com Michel Temer. Temer, então, diz Machado, visando controlar a destinação dos recursos do partido, decidiu reassumir a presidência da sigla. 

Trecho da delação sobre a volta de Temer à presidência do PMDB