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Política

Operação Lava Jato

Petrobras nega que Graça Foster soubesse de desvios na operação Lava Jato

por da Redação — publicado 16/12/2014 10h24, última modificação 16/12/2014 10h25
Reportagens publicadas recentemente afirmam que uma funcionária da estatal alertou por e-mail a presidente sobre pelo menos três irregularidades
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Graça Foster

Segundo a estatal, Graça Foster soube das irregularidades apenas no último dia 20

A presidente da Petrobras, Graça Foster, não foi avisada sobre os desvios de dinheiro na estatal antes que a operação Lava Jato, da Polícia Federal, fosse deflagrada. Quem garante é a assessoria de imprensa da companhia que em nota oficial negou a veracidade de reportagens publicadas nos últimos dias afirmando que a funcionária Venina Velosa Fonseca havia alertado a diretoria da empresa, incluindo sua presidente, sobre as irregularidades.

De acordo com a estatal, os abusos relacionados ao projeto RNEST, à área de Comunicação de Abastecimento e à área de comercialização de combustível de navio só chegaram ao conhecimento de Graça no último dia 20, quando a funcionária em questão já havia sido demitida.

A Petrobras também saiu em defesa de outros membros de sua diretoria citados nessas reportagens. A nota oficial informa ainda sobre as providências tomadas para apurar as denúncias. Leia abaixo o texto na íntegra:

“A Petrobras esclarece que, ao contrário do que foi afirmado nas matérias “Diretoria da Petrobras foi alertada de desvios” e “Petrobras não nega que Graça e Cosenza sabiam de irregularidades”, a Presidente Maria das Graças Silva Foster não foi informada sobre as referidas irregularidades pela empregada Venina Velosa Fonseca antes do dia 20/11/2014.

Os e-mails encaminhados em 02/04/2009, 26/08/2011 e 07/10/2011 à então Diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, e em 14/02/2012, à Presidente Maria das Graças Silva Foster, empossada em 13/02/2012, não explicitaram irregularidades relacionadas à RNEST, à área de Comunicação do Abastecimento e à área de comercialização de combustível de navio (bunker). Dois meses após a posse da Presidente, em 27/04/2012, o ex-Diretor Paulo Roberto Costa entregou sua carta de demissão.

Os temas supracitados foram apenas levados ao conhecimento da Presidente através de email recente, de 20/11/2014, quando a empregada já havia sido destituída de sua função gerencial. Nesta data, as irregularidades na Comunicação do Abastecimento e na RNEST já haviam sido objeto de averiguação em Comissões Internas de Apuração, bem como as irregularidades da área de comercialização de combustível de navio (bunker) em Grupos de Trabalho. A Presidente respondeu à empregada Venina Velosa Fonseca, no dia 21/11/2014, informando que estava encaminhando o assunto ao Diretor José Carlos Cosenza e ao Jurídico da Petrobras para averiguação e adoção das medidas cabíveis.

No que se refere ao Diretor José Carlos Cosenza, este enquanto Gerente Executivo de Refino, recebeu da Sra. Venina em 27/05/2009, sem comentários adicionais, reencaminhamento de email datado de 26/05/2009 enviado por ela ao então Diretor Paulo Roberto Costa, que relatava riscos das atividades de terraplenagem da RNEST que poderiam acarretar incremento de custos e prazos do projeto, sem alertar para indícios de desvios de recursos. Nesta data, a responsabilidade pelo acompanhamento do projeto RNEST na Diretoria de Abastecimento era da Gerência Executiva Corporativa do Abastecimento, conduzida pela própria Sra. Venina.

Com relação às irregularidades na área da Comunicação do Abastecimento, o Diretor José Carlos Cosenza nada recebeu, e, no que tange à comercialização de bunker, ao receber notícias de irregularidades, através de email enviado pela Sra. Venina em 09/04/2014, as medidas de tratamento adotadas pela Petrobras já estavam implementadas e os procedimentos já estavam absolutamente ajustados e em atendimento aos padrões corporativos que conferiram maior segurança e rastreabilidade às operações comerciais relacionadas.

Quanto às irregularidades na área de Comunicação do Abastecimento, a Petrobras instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente desta área foi demitido por justa causa em 3 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da Companhia. A demissão não foi efetivada naquela ocasião

porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica. A demissão foi efetivada em 2013. O resultado das análises de tais comissões foi encaminhado para a CGU e MP/RJ e há uma ação judicial em andamento visando ao ressarcimento dos prejuízos causados à companhia pelo ex-empregado.

No que se refere à RNEST, a Petrobras instaurou Comissão Interna de Apuração para analisar os procedimentos de contratação nas obras da RNEST, em 2014. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes. Além disso, a Companhia promoveu várias mudanças em seu quadro gerencial em função do resultado dessa Comissão Interna de Apuração, que apontou o não cumprimento de procedimentos normativos internos.

Em relação aos procedimentos de comercialização de bunker, apurações internas, iniciadas em 2012, indicaram não conformidades nas operações deste tipo realizadas pela Petrobras Singapore Private Limited – PSPL. A partir do resultado dessas apurações, foram adotadas as seguintes medidas: (i) instauração de Auditoria na PSPL; (ii) ajustes na estrutura gerencial na PSPL e na Petrobras, naquelas Gerências relacionadas às atividades de compra e venda de bunker; (iii) substituição de pessoas que atuavam diretamente nos processos de compra e venda de bunker; (iv) definição de novo Padrão Corporativo para comercialização de bunker pela Sede e subsidiárias; (v) aplicação de penalidades aos empregados envolvidos.”