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Sociedade

Violência

Outra chacina em Fortaleza?

por Mauro Lopes — publicado 15/08/2016 17h40
No fim de semana, 12 pessoas foram mortas em um único dia na capital do Ceará
Reprodução / Vídeo ONZE

Doze jovens foram mortos na madrugada de sábado 13 na periferia de Fortaleza, crimes que remetem à Chacina da Messejana, realizada há menos de um ano. Naquele episódio, 11 pessoas foram assassinadas na madrugada de 12 de novembro de 2015.

A versão oficial para a chacina citava uma suposta guerra entre traficantes, mas ela não se sustentou por muito tempo. Em abril, 38 policiais militares foram indiciados pela Delegacia de Assuntos Internos (DAI) por participação nos assassinatos.

Em junho, dois oficiais e 43 sargentos, cabos e soldados foram denunciados pelo Ministério Público como autores da chacina. Dos 11 mortos, apenas três tinham passagem pela polícia: um por não pagamento de pensão alimentícia, outro por crime de trânsito e outro por ameaça.

Uma versão análoga sobre as mortes do último fim de semana – ligação com tráfico – foi dada pela Polícia Militar. “São pessoas ligadas ao tráfico de drogas”, disse o tenente-coronel Francisco Souto, comandante do policiamento na capital cearense, em entrevista ao jornal O Povo.

Segundo Kélvin Cavalcante, um dos realizadores do documentário ONZE - a maior chacina da história do Ceará, a versão da PM para as mortes do fim de semana também é insustentável: “O derramamento de sangue não para. Segue com maior intensidade. E a desculpa é a mesma, ‘são pessoas ligadas ao tráfico de drogas’. Não basta nos matar. Têm de dizer que a culpa é nossa.”

Desta vez, as mortes ocorreram em bairros diferentes daqueles compreendidos pela Grande Messejana. Cinco pessoas foram mortas na Vila Manoel Sátiro. De acordo com o jornal O Povo, entre os assassinados há uma criança de 12 anos e um jovem de 16 anos. A criança de 12 anos assassinada chamava-se Kell.

CartaCapital obteve parte do post de uma amiga dele (que pediu para não ter seu nome revelado) sobre o menino: “Eu vi o Kell esses dias soltando raia, dava altas ideia para ele voltar a estudar. Eu não acredito ainda! Pode? Ele era cheio de amor, era cada abraço... E toda vida que eu falava bem dele ele sorria. Uma criança, mais um dos nossos”. 

Abaixo, o documentário Onze, realizado pelos coletivos Nigéria, Voz Vez das Comunidades e Coletivo Zóio, com apoio da Prefeitura de Fortaleza e lançado em fevereiro passado.

ONZE - a maior chacina da história do Ceará from Nigéria on Vimeo.

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