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Política

Investigação

Operação Acrônimo mira Pimentel e aeroporto em São Roque (SP)

por Redação — publicado 16/08/2016 12h00, última modificação 16/08/2016 15h03
Mandados de busca e apreensão são cumpridos em SP e MG. Investigação envolve suposta propina paga via o instituto de pesquisas eleitorais Vox Populi
Manoel Marques/Imprensa-MG/Fotos Públicas
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel

De acordo com as investigações, os recursos do BNDES teriam sido liberados mediante pagamentos da JHFS para a campanha de Fernando Pimentel (PT) governo de Minas

A Polícia Federal deu início a mais uma fase da Operação Acrônimo, responsável por investigar esquema de tráfico de influência relacionados a empréstimos do BNDES. A investigação também envolve o governador de Minas Gerais e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do governo Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, e o instituto de pesquisas Vox Populi. Fernando Pimentel também já ocupou o cargo de presidente do conselho de administração do BNDES.

O foco da nova fase, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, é a construção de um aeroporto na cidade de São Roque, em São Paulo, realizada pela empreiteira JHFS e financiada com recursos do BNDES. Houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, inclusive no escritório da Vox Populi, sediada em Belo Horizonte.

O aeroporto Catarina, previsto para ser inaugurado no segundo semestre de 2016, pretendia competir com os terminais de Sorocaba e Jundiaí. No entanto, começará a operar com um porte bem menor do que o inicialmente previsto, devido à situação financeira da empreiteira. Em abril, a empreiteira disse ao jornal O Estado de S.Paulo que teria feito um empréstimo de R$ 145,7 milhões, a ser pago ao longo de 12 anos. 

De acordo com as investigações, os recursos do BNDES sob suspeita teriam sido liberados mediante pagamentos da JHFS para a campanha de Fernando Pimentel (PT), que concorria ao governo de Minas Gerais. Pimentel foi eleito em 2014 com 53% dos votos válidos, encerrando um ciclo de 12 anos do PSDB à frente do estado.

Ainda segundo com informações da investigação, obtidas pelo Estadão, a transação entre a JHFS e o BNDES teria sido intermediada pelo empresário Benedito Oliveira Neto e o pagamento da ajuda financeira da empreiteira à campanha teria feito por meio de pagamentos ao instituto de pesquisa eleitoral.

Conhecido como Bené, o empresário foi preso em abril em outro desdobramento da mesma operação e fez delação premiada. A suspeita é que ele seria o operador no suposto esquema de corrupção que envolveria Pimentel.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa o recebimento de uma denúncia feita contra o governador pela Procuradoria-Geral da República, a respeito do suposto recebimento de propina da montadora de veículos CAOA para favorecê-la no Ministério do Desenvolvimento.

Caso o STJ aceite a denúncia, Pimentel viraria réu e seria afastado do cargo. Para o advogado do governador de Minas Gerais, Eugênio Pacceli, a nova fase seria um "factóide" criado para influenciar o julgamento do recurso de Pimentel no STJ, adiado no dia 3 de agosto. 

Em nota, o Vox Populi confirmou a ida da equipe da Polícia Federal aos escritórios do instituto de pesquisa eleitoral na manhã desta terça. "A empresa disponibilizou a documentação solicitada e continua pronta a atender quaisquer outras solicitações das autoridades".