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Política

Corrupção

Nova delação amplia foco da Lava Jato

por Redação — publicado 27/06/2015 10h05, última modificação 29/06/2015 15h46
Ricardo Pessoa, da UTC, teria citado campanhas petistas de Lula, Dilma e Haddad e o senador Aloysio Nunes (PSDB)
Reprodução

A delação premiada feita pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e apontado como chefe do cartel que atuava na Petrobras, ampliou o foco da Operação Lava Jato. De acordo com vazamentos à imprensa, Pessoa teria citado 18 políticos como beneficiários do esquema, alguns mencionados pela primeira vez no escândalo, e atrelado doações feitas legalmente e registradas na Justiça Eleitoral a desvios ocorridos na Petrobras.

Entre os favorecidos pelo esquema, citados em reportagens da revista Veja e confirmados pelo jornal O Globo, estariam as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006; a campanha do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) em 2012; o tesoureiro da campanha da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2010, José Di Fillipi; a campanha de Dilma em 2014, bem como seu tesoureiro, o atual ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT); o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante; o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso na Lava Jato; e o ex-ministro José Dirceu (PT).

Outro citado é o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), um dos principais líderes da oposição atualmente e vice na chapa presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado nas eleições presidenciais de 2014.

Estariam na nova delação, também, os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA), Gim Argello (PTB-DF), Ciro Nogueira (PP-PI) e Benedito de Lira (PP-AL), os deputados Arthur Lira (PP-AL), Júlio Delgado (PSB-PE) e Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado.

Como vários dos citados têm prerrogativa de foro privilegiado, a delação premiada foi remetida ao Supremo Tribunal Federal, instância na qual o ministro Teori Zavascki já a homologou. A delação, sozinha, não serve como prova, no entanto. Como os outros vários delatores, Pessoa precisou fornecer provas ou indicações de como as autoridades podem obter provas para comprovar suas denúncias. Caso as informações sejam confirmadas, Pessoa pode ter benefício em sua pena quando for condenado.

Os ministros Edinho Silva e Aloizio Mercadante negaram ter recebido doações ilegais. “O ministro Edinho Silva esteve com o empresário Ricardo Pessoa por três vezes para tratar de doações de campanha. A primeira, quando o conheceu, foi quando o empresário esteve no comitê da campanha, em Brasília. O empresário, após o primeiro contato, organizou o fluxo de doações em três parcelas que totalizaram R$ 7,5 milhões. O ministro Edinho jamais tratou de assuntos relacionados a qualquer empresa ou órgão público com o referido empresário. As contas da campanha presidencial de Dilma Rousseff foram auditadas e aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral”, declarou o ministro.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, confirmou que recebeu dois pagamentos de 250 mil reais, da UTC e da Constran, para sua campanha ao governo de São Paulo, em 2010. Disse, no entanto, que os valores foram recebidos de forma legal e declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou a prestação de contas. A direção do PT também reafirmou que todas as doações recebidas pelo partido são legais e registradas na Justiça Eleitoral.

O tucano Aloysio Nunes usou a mesma defesa que os petistas. Em nota, o parlamentar reconhece que recebeu a quantia para a sua campanha eleitoral ao Senado em 2010, mas disse que o valor foi legalmente declarado à Justiça Eleitoral. O senador disse ainda que não conhece o empreiteiro e que não tem nada a esconder. “Nunca fui procurado por Ricardo Pessoa, nem antes e nem depois da campanha, para patrocinar pleitos junto à Petrobras, uma vez que, entre outras razões, é pública e notória a minha frontal oposição ao governo petista, à sombra do qual esse senhor prosperou.Aliás, não conheço Ricardo Pessoa; nunca o vi mais gordo e muito menos mais magro".