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Política

Operação Lava Jato

Na íntegra, a delação premiada de Delcídio do Amaral

por Redação, com reportagem de André Barrocal — publicado 15/03/2016 12h55, última modificação 15/03/2016 16h05
O senador concordou em devolver R$ 1,5 milhão aos cofres públicos
Geraldo Magela / Agência Senado

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo da Operação Lava Jato, homologou na segunda-feira 14 o acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para colaborar com as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras.

(Confira aqui dez destaques da delação de Delcídio)

O documento foi tornado público nesta terça-feira 15 (leia abaixo) e traz detalhes do acordo, como o fato de Delcídio ter concordado em devolver 1,5 milhão de reais aos cofres públicos por conta de sua participação nos esquemas de corrupção.

Como em todas as outras delações, a de Delcídio não vale sozinha como prova. A partir dela e dos documentos entregues pelo senador petista, os procuradores vão recolher outras para provas para tentar construir as peças acusatórias.

A delação de Delcídio vazou para a imprensa antes de sua homologação, o que provocou a indignação do ministro Teori Zavascki. Após a publicação de reportagens com parte do conteúdo do documento, Zavascki enviou um ofício à PGR solicitando a abertura de uma investigação a respeito do vazamento.

A divulgação da delação ocorre em um momento no qual o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não se encontra no Brasil. Janot está na Europa, para compromissos da Associação Internacional de Procuradores, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e para um encontro importante com o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, no qual os dois devem discutir assuntos como Swissleaks, a Operação Lava Jato e o escândalo de corrupção na Fifa e na CBF.

Prisão e soltura

Delcídio do Amaral, então líder do governo no Senado, foi preso no dia 25 de novembro do ano passado depois que Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, entregou ao Ministério Público o áudio de uma reunião na qual Delcídio propunha o pagamento de 50 mil reais por mês à família Cerveró e um plano de fuga para o ex-diretor deixar o País.

O senador garantia ainda que poderia interferir junto a alguns ministros do Supremo para conseguir um habeas corpus para Nestor Cerveró.

Delcídio foi solto no dia 18 de fevereiro sob condição de se manter em recolhimento domiciliar, podendo deixar a sua residência apenas para ir ao Senado trabalhar e retornando no período noturno. Desde então, ele está de licença médica.