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Política

Operação Lava Jato

MPF denuncia tesoureiro do PT e outros 26 por corrupção e lavagem de dinheiro

por Redação — publicado 16/03/2015 17h27, última modificação 17/03/2015 11h41
Além de João Vaccari Neto, está na lista Renato Duque, ex-diretor da Petrobras e indicado ao cargo pelo PT
Roosewelt Pinheiro/ABr/Arquivo
João Vaccari Neto

Segundo o MPF, o tesoureiro do PT, com o intermédio de Renato Duque, indicava as contas em que as empreiteiras deveriam depositar as propinas, que eram registradas como doação de campanha ao partido

O Ministério Público denunciou 27 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha durante a décima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira 16. Entre os denunciados estão o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviço da Petrobras Renato de Souza Duque, indicado para o cargo pela cota do PT e suspeito de ser o principal homem do partido no esquema de corrupção da Petrobras. Embora já tivessem sido citados anteriormente no processo, esta é a primeira denúncia formal contra ambos.

Segundo a denúncia do MPF, Vaccari "lavava" os pagamentos de propina ao indicar a Duque as contas bancárias que as empreiteiras deveriam depositar as propinas em forma de doações oficiais ao PT. Dessa forma, as propinas eram contabilizadas como doação lícita.

Ao todo, o MPF afirma que existiram 24 doações em 18 meses, no valor de 4,260 milhões de reais. As contas bancárias para o depósito eram indicadas pelo tesoureiro do PT, afirma o MPF.

Além dos dois nomes ligados ao PT, o doleiro Alberto Youssef, vinculado ao Partido Progressista (PP), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o engenheiro Pedro José Barusco Filho, ex-gerente-executivo de Serviços e Engenharia da Petrobras e braço direito de Renato Duque, também constam na lista de denunciados.

As denúncias envolvem o esquema de desvio de recursos da Petrobras por meio de quatro obras: Replan, Interpar (Repar), Gasoduto Pilar/Ipojuca e Gasoduto Urucu Coari. As empresas responsáveis foram OAS, Mendes Júnior e Setal.

Os 27 denunciados são:

- Adir Assad

- Agenor Franklin Magalhães Medeiros

- Alberto Elísio Vilaça Gomes

- Alberto Youssef

- Ângelo Alves Mendes

- Augusto Ribeiro de Mendonça Neto

- Dario Teixeira Alves Júnior

- Francisco Claudio Santos Perdigão

- João Vaccari Neto

- José Aldemário Pinheiro Filho

- José Américo Diniz

- José Humberto Cruvinel Resende

- Julio Gerin de Almeida Camargo

- Lucélio Roberto Von Lehsten Góes

- Luiz Ricardo Sampaio de Almeida

- Mario Frederico Mendonça Góes

- Marcus Vinícius Holanda Teixeira

- Mateus Coutinho de Sá Oliveira

- Paulo Roberto Costa

- Pedro José Barusco Filho

- Renato de Souza Duque

- Renato Vinícios de Siqueira

- Rogério Cinha de Oliveira

- Sérgio Cunha Mendes

- Sonia Mariza Branco

- Vicente Ribeiro de Carvalho

- Waldomiro de Oliveira

Entre os denunciados, 15 pertencem a empreiteiras, cinco são operadores, quatro são vinculados aos operadores, dois são ex-diretores da Petrobras e um é ex-gerente da estatal.

Em um ano da Operação Lava Jato estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da Petrobras somem 2,1 bilhões de reais.

Outro lado

Em nota, a defesa de João Vaccari Neto negou que ele tenha recebido propina ou participado de algum esquema de corrupção. "Embora ainda não se tenha ciência dos termos da denúncia, torna-se importante reiterar que o sr. Vaccari não participou de nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao PT. Ressaltamos que causa estranheza o fato de que o sr. Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores, durante entrevista no dia de hoje, uma vez que ele assumiu essa posição apenas em fevereiro de 2010", diz o comunicado.

"O sr. Vaccari repudia as referências feitas por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade. Ele não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao PT, pois as doações solicitadas pelo sr. Vaccari foram realizadas por meio de depósitos bancários, com toda a transparência e com a devida prestação de contas às autoridades competentes. O sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, como sempre esteve desde o início dessa investigação", conclui.