Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Parlatório / Marcelo Odebrecht e mais 12 se tornam réus na Lava Jato

Política

Operação Lava Jato

Marcelo Odebrecht e mais 12 se tornam réus na Lava Jato

por Henrique Beirangê publicado 28/07/2015 18h14, última modificação 28/07/2015 18h26
Dono da maior empreiteira do País responderá por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa
Cicero Rodrigues / WEF

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos inquéritos da Operação Lava Jato, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e mais quatro executivos da empresa. A partir de agora, ele se torna réu na ação penal da qual é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Odebrecht está preso em Curitiba desde 19 de junho. 

Além de Odebrecht e dos quatro executivos, também se tornaram réus na ação o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso em 16 de março deste ano, e o doleiro Alberto Yousseff, detido em março do ano passado. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, solto após fazer delação premiada, também integra a lista. 

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, a Odebrecht participava de um cartel de empreiteiras na Petrobras para fraudar licitações. As investigações apontaram que a construtora fez uso de pagamentos no exterior por meio de off-shore para ex-dirigentes da estatal como Costa, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque. 

Só em operações com a Braskem, empresa do grupo Odebrecht, a Petrobras teria sofrido um prejuízo de 6 bilhões de reais, aponta o Ministério Público. Os procuradores afirmam que a estatal venderia nafta, insumo para a produção de plástico, a preços abaixo de mercado. A apuração indica que Costa teria conseguido que a Petrobras cobrasse 92% do valor de mercado do produto para a Braskem.

O presidente da construtora, afirmam os investigadores, tinha conhecimento do esquema e inclusive teria tentado interferir nas apurações. A inferência foi feita a partir de uma mensagem interceptada no celular de Odebrecht na qual ele mencionava a intenção de influenciar “dissidentes da PF” e siglas referentes a nomes de políticos. 

Em seu despacho, Moro destaca que “o esquema criminoso foi objeto de confissão e descrição, após acordos de colaboração, por diversos dos próprios investigados (...)  Nesse quadro amplo, vislumbra o MPF uma grande organização criminosa formada em um núcleo pelos dirigentes das empreiteiras, em outro pelos empregados de alto escalão da Petrobrás e no terceiro pelos profissionais da lavagem”. No total, 13 suspeitos se tornaram réus.