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Política

12 de abril

Maioria dos manifestantes antigoverno acredita em teorias conspiratórias

por Redação — publicado 14/04/2015 19h38, última modificação 14/04/2015 19h47
Pesquisa revela que manifestantes na avenida Paulista no dia 12 de abril acreditam em frases como "o PCC é um braço armado do PT" e usam o whatsapp como fonte de informação
Foro de São Paulo

"O Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil" é uma das mentiras que mais da metade dos manifestantes acreditam

"O PT quer implantar um regime comunista no Brasil"

"Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, é sócio da Friboi"

"O Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil"

"O PCC é um braço armado do PT"

"O PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições"

Ao menos metade dos manifestantes que foram ao protesto do dia 12 de abril, na Avenida Paulista, em São Paulo, acredita em uma das frases conspiratórias acima, segundo uma pesquisa realizada com 571 manifestantes no domingo 12. Os dados são da pesquisa coordenada por Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Unifesp, e pelo filósofo Pablo Ortellado, da USP.

Um provável motivo para essa crença em boatos é a confiança dos manifestantes em fontes de informação conhecidas por disponibilizar conteúdos falsos, entre elas o Facebook e o Whatsapp. Segundo a pesquisa, 26,6% dos manifestantes disseram confiar “muito” nos conteúdos compartilhados via Whatsapp. O índice de confiança sobe para 47,3% quando a rede social é o Facebook. "Os manifestantes confiam muito em comentaristas políticos polêmicos e se informam pelas redes sociais, isso alimenta boatos e a desinformação", afirma Esther Solano.

Ao mesmo tempo em que cresce a confiança nas redes sociais, cai a confiança na mídia tradicional. O Jornal Nacional, o telejornal que é historicamente líder de audiência no Brasil, não tem a confiança de 37,1% dos manifestantes, por exemplo. "Isso é grave porque as pessoas estão trocando veículos que tem o compromisso com uma informação verdadeira por plataformas que podem espalhar a desinformação", disse Solano.

Todas as frases listadas acima são exemplos desta desinformação. Nada prova que o PT "quer implantar um regime comunista no Brasil", pelo contrário. O professor da USP e biógrafo do PT, Lincoln Secco, disse em entrevista a CartaCapital que "o partido jamais quis acirrar a luta de classes" e que seu desejo é que "haja conciliação". Outro sinal de que o PT não tem tentado implantar um regime comunista no Brasil é o lucro recorde dos bancos no País. Apenas em 2013, o Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander lucraram juntos 20,5 bilhões de dólares, o que corresponde ao Produto Interno Bruto (PIB) de 83 países no mesmo ano.

Também não é verdade dizer que "Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, é sócio da Friboi". Lulinha move um processo na Justiça contra Paulo Altomani (PSDB), prefeito de São Carlos, por espalhar boatos de que ele seria sócio da Friboi nas redes sociais.

E é verdade que "o Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil"? Não. O Foro de São Paulo é apenas um fórum de debates que discute as alternativas à visão neoliberal da economia e da política. CartaCapital produziu uma sequência de perguntas e respostas sobre o Foro que ajuda a esclarecer o tema.

Também nunca existiu evidência alguma de que "o PCC é um braço armado do PT".

Por fim, também não é verdade a afirmação de que "o PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições", segundo acreditam 42% dos manifestantes. A imigração de haitianos para o País é um fenômeno decorrente da crise humanitária do Haiti. De todas as formas, imigrantes não naturalizados brasileiros não têm direito a voto nas eleições. Além disso, a diferença de votos entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) foi de 3,4 milhões de votos. Ou seja, os 50 mil votos não fariam diferença.

Apesar do mote das manifestações serem o "Fora PT", a pesquisa revelou uma grande desconfiança com todo o sistema partidário. Entre os manifestantes entrevistados, apenas 22,6% disseram confiar muito em Aécio Neves (PSDB-MG), contra 76% que dizem confiar pouco ou nada no candidato derrotado nas últimas eleições. A íntegra da pesquisa está disponível online.

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