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Investigação

Lula vira alvo da Lava Jato, agora oficialmente

Em sua 24ª fase, a operação faz buscas no Instituto Lula, na casa do ex-presidente e o leva para depor
por Redação — publicado 04/03/2016 08h39, última modificação 04/03/2016 12h47
Douglas Magno / AFP
Luiz Inácio Lula da Silva

Lula em evento da CUT em Belo Horizonte, em agosto: defesa fala em ação ilegal e MPF nega intuito político

O cerco ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha sendo montado nos últimos meses, chegou nesta sexta-feira 4 ao seu ponto máximo, com a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia, em referência a uma expressão grega que significa "busca da verdade".

Cerca de 200 policiais federais e 30 auditores da Receita Federal cumpriram 44 ordens judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação inclui buscas em cinco municípios paulistas: Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia.

Entre os principais alvos da operação estão o Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e a casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP). Lula foi alvo de um mandado de condução coercitiva, quando o investigado é obrigado a depor, e foi ouvido pela PF no aeroporto de Congonhas.

Instituto Lula critica "arbitrariedade" e vai ao STF

A defesa de Lula havia obtido um habeas corpus impedindo que ele fosse alvo de condução coercitiva, mas a decisão valia apenas para o estado de São Paulo. A operação desta sexta foi deflagrada sob as ordens do juiz Sergio Moro, de Curitiba, que centraliza as investigações da Lava Jato que não envolvem figuras com foro privilegiado.

Em nota, o Instituto Lula afirma que a condução coercitiva contra o ex-presidente, bem como a quebra do sigilo bancário e fiscal do instituto e da empresa LILS Palestras, pertencente a Lula, e do próprio ex-presidente, não são justificadas, uma vez que Lula vem colaborando com as investigações e já entregou seus sigilos bancários e fiscal, bem como os de suas empresas, às autoridades.

Para o instituto Lula, o "único resultado da violência desencadeada" nesta sexta-feira pela Força Tarefa da Operação Lava Jato "é submeter o ex-presidente a um constrangimento público".

Lula
Apoiador de Lula, ferido, exibe a mão ensanguentada após confronto em frente à casa de Lula, em São Bernardo do Campo (SP)

Nesta sexta, a defesa de Lula ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal na qual solicita a suspensão da Lava Jato. Os advogados do ex-presidente alegam que há duas investigações concomitantes sobre Lula, uma em São Paulo e outra em Curitiba, o que viola as normas legais.

Assim, pediram na semana passada que o STF defina quem tem a prerrogativa de investigar Lula e tinham a expectativa de que tanto o Ministério Público Federal no Paraná quanto o Ministério Público estadual de São Paulo aguardassem a manifestação da ministra Rosa Weber, responsável pelo pedido no Supremo. Para a defesa de Lula, assim, a ação desta sexta é ilegal e afronta o STF.

As acusações contra Lula

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta, delegados da Polícia Federal e procuradores do MPF rechaçaram a acusação de que a ação tenha cunho político. Segundo eles, a operação foi feita agora para preservar a ordem e garantir a segurança dos investigados por conta de manifestações política pró e contra Lula.

A alegada intenção não serviu para muita coisa. Houve confronto entre manifestantes pró e contra Lula na manhã desta sexta-feira em frente à casa do ex-presidente.

Estão sendo apurados na Operação Aletheia, segundo o MPF, possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras. A suspeita dos investigadores é que Lula teria recebido dinheiro sujo por meio de pagamentos dissimulados feitos pelo pecuarista José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht.

Os pagamentos teriam ocorrido, dizem os investigadores, por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras.

A intenção da Polícia Federal e do Ministério Público Federal de enquadrar Lula havia ficado clara no fim de janeiro, quando foi deflagrada a 22ª fase da Operação Lava Jato, nomeada de Triplo X, uma referência ao triplex no Condomínio Solaris, no Guarujá, que teria sido usado para repassar propina obtida em contratos com a Petrobras.