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Lula é o novo ministro-chefe da Casa Civil

por Redação, com reportagem de André Barrocal — publicado 16/03/2016 12h13, última modificação 16/03/2016 16h51
O ex-presidente é tido pelo governo como a única chance de evitar a derrubada
Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Dilma Rousseff e Lula

Dilma e Lula durante a campanha presidencial: juntos de novo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o novo ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto.

A entrada de Lula no governo foi acertada na manhã desta quarta-feira 16, em uma reunião no Palácio da Alvorada na qual participaram o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o agora ex-ministro-chefe da Casa Civil Jaques Wagner, que assumirá a chefia de gabinete de Dilma.

Em nota, o Planalto afirmou, ainda, que o deputado federal Mauro Ribeiro Lopes (PMDB-MG) assumirá o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, até então comandada por Guilherme Walder Mora Ramalho.

A informação de que Lula iria para a Casa Civil foi antecipada pelo líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA). "O presidente Lula acaba de aceitar o convite para ser ministro-chefe da Casa Civil", disse. Segundo Florence, a intenção de Lula é "contribuir com o Brasil" e encontrar uma "solução para a crise política e a crise econômica".

Pouco antes da confirmação da notícia, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que Lula seria "acolhido" caso se dispusesse a colaborar com os parlamentares. "O que eu sei é que, indiscutivelmente, ele tem boas relações com o Congresso Nacional. E eu espero, e acho que o Brasil espera também, que as coisas melhorem no País", afirmou Calheiros.

Como mostrou CartaCapital no fim de semana, a presença de Lula em um cargo no Planalto cumpre dois objetivos. Por um lado, uniria de vez Dilma, Lula e o PT para enfrentar o que o partido avalia ser uma perseguição do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, e da força-tarefa da Lava Jato. Para o núcleo duro governista, o objetivo de Moro e da operação seria fechar o PT, derrubar a presidenta e tirar da vida pública o seu antecessor.

Por outro lado, Lula no Planalto daria impulso a um governo em apuros, graças ao seu “magnetismo”. Desde a semana passada, estava claro que Dilma aceitava a entrada de Lula na equipe, mas ele próprio estava em dúvida. O ex-presidente temia que se consagrasse a ideia de que sua nomeação seria uma confissão de culpa e uma tentativa de fugir de Moro e da cadeia

Para pessoas próximas a Lula, sua entrada no governo vai ajudar a construir um governo petista de coalizão. Em outras palavras, de Dilma ceder parte do poder presidencial e reparti-lo com o PT, via Lula.

Há dúvidas, entretanto, inclusive dentro do PT, a respeito da possibilidade de a estratégia ter sucesso.