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Política

Corrupção

Lava Jato coloca campanhas do PT no alvo

por Redação — publicado 22/02/2016 12h00
A 23ª fase da operação investiga valores recebidos no exterior pelo marqueteiro João Santana, que comandou campanhas de Lula e Dilma
Rovena Rosa / Agência Brasil
Odebrecht

Agentes da PF em frente à sede da Odebrecht em São Paulo, nesta segunda-feira 22

Na entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira 22, em Curitiba, os integrantes da força tarefa da Operação Lava Jato se esforçaram para dizer que não estão investigando crimes eleitorais – uma prerrogativa que não têm –, mas os detalhes da apuração, bem como seus alvos, certamente ampliarão a tensão no PT e no governo.

O principal alvo da 23ª fase da Lava Jato é o marqueteiro João Santana. Ele assumiu as principais campanhas do PT após o afastamento de Duda Mendonça do partido e teve papel decisivo na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, nas duas vitórias de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e também na conquista da Prefeitura de São Paulo por Fernando Haddad em 2012.

Santana também comandou campanhas fracassadas do PT, como as das senadoras Gleisi Hoffmann e Marta Suplicy (hoje no PMDB) para as prefeituras de Curitiba e São Paulo.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Santana recebeu no exterior 7,5 milhões de dólares que teriam origem no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Lava Jato.

A maior parte deste valor – 4,5 milhões de dólares – teriam sido depositados em contas no exterior pelo engenheiro e lobista Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels no Brasil. Preso nesta segunda-feira 22, Skornicki é considerado pela PF um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras e teria repassado valores a ex-funcionários da estatal como Renato Duque Pedro Barusco.

O resto do dinheiro, 3 milhões de dólares, foram depositados pelas offshores Klienfeld e Innovation a uma empresa sediada no Panamá e denominada Shellbill Finance SA. De acordo com a PF e o MPF, a Klienfeld e Innovation eram controladas pela construtora Odebrecht, enquanto a Shellbill pertencia a João Santana e a Monica Moura, sua mulher e parceira na Pólis Propaganda.

Foram expedidos mandados de prisão contra João Santana e Monica Moura, mas os dois estão na República Dominicana, onde trabalham na campanha à reeleição do presidente Danilo Medina. Por meio de advogados, o casal, que sempre negou irregularidades, informou à imprensa que se apresentará às autoridades brasileiras. 

Segundo a PF e o MPF, Santana e Moura são tratados como mais dois supostos recebedores de propina do esquema de corrupção na Petrobras ligados ao PT. A relação entre o dinheiro depositado no exterior e as campanhas eleitorais, entretanto, não está posta.

Causou estranheza aos investigadores, por exemplo, o fato de o dinheiro depositado no exterior supostamente em nome de João Santana ser uma pequena fração do recebido e declarado oficialmente por ele ao fisco brasileiro. Apenas em 2014, na campanha de Dilma Rousseff, a Pólis Propaganda levou ao menos 70 milhões de reais.

Para a PF e o MPF, entretanto, a 23ª fase da Lava Jato é encarada como um novo início do trabalho. Com os documentos apreendidos nas 38 buscas realizadas nesta segunda-feira, os investigadores vão buscar comprovar que o dinheiro era mesmo da corrupção na Petrobras, que João Santana de fato era o beneficiário e, também, o que motivou os depósitos.

A depender do que for descoberto, a Lava Jato pode municiar a oposição ao governo Dilma Rousseff, que mantém as esperanças de ver seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na suspeita de que a chapa Dilma-Michel Temer recebeu dinheiro de propina ligada a contratos da Petrobras. Dilma e Temer entregaram suas defesas à Justiça Eleitoral na semana passada, e o julgamento pode ocorrer ainda neste semestre.