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Política

Operação Lava Jato

Janot mira caciques do PMDB e pede prisão de Renan, Sarney e Jucá

por Redação — publicado 07/06/2016 09h35, última modificação 07/06/2016 12h31
O Ministério Público avança a um território inexplorado ao ir atrás dos principais nomes do partido no Senado
Marcelo Camargo / Agência Brasil
José Sarney e Renan Calheiros

José Sarney e Renan Calheiros: alvos de Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu ir para cima da cúpula do PMDB, o partido do presidente interino Michel Temer, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) as prisões dos senadores Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL), este presidente do Senado, e do ex-presidente da República José Sarney.

As informações foram divulgadas em primeira mão pelo jornal O Globo e confirmadas pela TV Globo, segundo quem Janot pediu também da prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara. De acordo com a GloboNews, os pedidos foram feitos há duas semanas e desde então se encontram sob análise do relator da Operação Lava Jato no STF, Teori Zavascki.

A ação de Janot é uma aposta na força da Operação Lava Jato diante de políticos altamente influentes e trata-se, também, de uma iniciativa que abre um território inexplorado. Ao longo das últimas décadas o chamado "PMDB do Senado" figurou em diversos escândalos, mas nunca foi efetivamente abalado pelas investigações.

O Globo cita como fonte um interlocutor de ministros do STF e confirma que Janot também pediu o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado, utilizando argumentos semelhantes aos que levaram à suspensão do mandato de Cunha como presidente da Câmara. A informação havia sido divulgada pelo jornal Valor Econômico na semana passada.

No caso de Sarney, o pedido é de prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, em razão de sua idade (86 anos), segundo informação da Folha de S. Paulo.

Os pedidos de prisão têm como base as gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o trio de peemedebistas. Nos áudiso, os senadores e o ex-presidente José Sarney discutiam meios de barrar as investigações.

Renan defende mudanças na lei da delação premiada; Sarney sugere a escalação de dois advogados, Cesar Asfor Rocha e Eduardo Ferrão, para conversarem com Teori Zavasck; e Jucá afirma que o impeachment de Dilma Rousseff seria parte de uma estratégia para conter a Lava Jato

As suspeitas são consideradas pelos investigadores mais graves do que os motivos que levaram à prisão do senador Delcídio do Amaral, em novembro. Segundo a fonte citada pelo Globo, Delcídio teria tentado manipular a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró enquanto Sarney, Renan e Jucá planejavam bloquear a Lava Jato.

Desde o surgimento dos áudios, foi confirmada a notícia de que Sergio Machado assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, já homologado pelo STF. Três de seus filhos também estariam negociando os termos com os investigadores para entregar detalhes do esquema de corrupção.

Nos depoimentos, Machado afirmou que teria distribuído 70 milhões de reais em propinas para Sarney, Renan, Jucá e outros políticos do PMDB, como os senadores Edison Lobão e Jader Barbalho, nos 12 anos em que esteve na Transpetro.

As denúncias vão ao encontro das suspeitas de Janot sobre o PMDB. No início de maio, ele pediu ao STF a ampliação do inquérito-mãe da Lava Jato para incluir novos alvos. No texto, o PMDB é apontado como um dos dois “eixos centrais” da “organização criminosa” investigada por atuação na Petrobras e em outros órgãos públicos – o outro eixo seria o PT. 

Em nota, Renan Calheiros disse que, apesar de não ter tido acesso aos fundamentos que embasaram o pedido, considera tal iniciativa “desarrazoada, desproporcional e abusiva". O advogado de Romero Jucá e de Sarney, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse à Agência Brasil que ainda não tomou conhecimento do pedido de prisão de seus clientes.

*Com informações da Deutsche Welle e da Agência Brasil