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Política

Operação Chacal

Investigada no Brasil, Kroll vai rastrear contas da Lava Jato

por Redação — publicado 26/03/2015 20h34, última modificação 26/03/2015 20h42
Acusada de receber 7 milhões de dólares para espionar Italia Telecom, Kroll Associates agora precisa descobrir onde foi parar o dinheiro desviado da Petrobras
Daniel Dantas

Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity

Escolhida para rastrear as contas internacionais que receberam o dinheiro desviado da Petrobras no âmbito da Operação Lava Jato, a Kroll Associates é velha conhecida dos brasileiros. Companhia norte-americana de investigações corporativas, ela atuou na CPI do caso PC Farias, em 1992, mas ficou nacionalmente conhecida no escândalo que levou seu nome no final de 2004.

A escolha da Kroll para atuar na CPI da Petrobras foi aprovada pelo presidente da CPI, Hugo Mota (PMDB), no dia 5 de março. Um dos argumentos foi sua atuação na década de 1990 que resultou no impeachment de Fernando Collor de Mello. Nenhuma palavra sobre o caso Kroll, eclodido em 2004.

Maior empresa de investigações do mundo, a companhia teria recebido 7 milhões de dólares nos 30 meses em que foi supostamente contratada pela Brasil Telecom e Banco Opportunity, de Daniel Dantas, para levantar, ilegalmente, informações secretas sobre a Telecom Itália.

O caso remonta a 1998, com a privatização do Sistema Telebrás. Na época, as companhias disputavam o controle da operadora de telefonia. O imbróglio terminou com, pelo menos, 50 ações judiciais nos quatro anos seguintes.

Em 2004, a Operação Chacal, da Polícia Federal, investigava supostas ações de espionagem contra a Telecom Itália. Os agentes acabaram esbarrando na Kroll, que tiveram computadores apreendidos e cinco funcionários da companhia presos.

Durante a espionagem, a Kroll monitorou, por exemplo, o encontro entre os executivos da Telecom Itália e o então presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, além de interceptar e-mails do então ministro das Comunicações Luiz Gushiken.

Agora, sua missão na CPI da Petrobras será encontrar o rastro do dinheiro usado por ex-executivos da estatal, como Paulo Roberto Costa e Renato Duque, e encontrar as contas no exterior de empresas de engenharia que forneceram equipamentos à estatal, como sondas, plataformas e navios.

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